sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Ágora - O que dizer numa entrevista de emprego?

Srta. Bia,
Estou desempregado a quase dois anos. Mando meu currículo e sei que sou bom, fiz faculdade, tenho curso de ingles, informática e falo um pouquinho de espanhol. Passo bem pelas dinâmicas e atividades porque sou simpático, tenho iniciativa e trabalho bem em grupo. Algumas vezes até me chamam para entrevista mas nunca sou contratado. Acho que deve ser aí que estou errando e queria saber o que o pessoal da seleção quer ouvir? 
Grato.
Paulo César - Brasília, DF


Oi, Paulo César.

Pergunta difícil a sua. Porque para saber o que o pessoal da seleção "quer ouvir", é fundamental saber o que eles procuram! Não existem respostas certas ou erradas, currículos bons ou ruins, existem apenas pessoas que dariam certo em determinadas vagas e as que se dariam melhor em outras.

Claro que é bom fazer faculdade e ir além, se atualizar com novos cursos com frequência... mas não é apenas isso o que torna alguém apto para certa função. Outros fatores, como os trabalhos anteriores e mesmo o tempo entre um emprego e outro - no seu caso, por exemplo, o que fez nestes quase dois anos? Foi apenas um tempo ocioso na espera de uma nova oportunidade ou você aproveitou para se reciclar, rever sua carreira, talvez fazer trabalhos temporários ou mesmo um voluntariado? Tudo isso também conta, pois mais do que a função exercida, esse tipo de informação conta aos selecionadores sobre as nossas atitudes, seja perante o trabalho, seja perante a nossa realidade mais ampla.

Já conheci pessoas com currículos admiráveis que tinham dificuldade em encontrar um bom emprego. Alguns, porque procuravam nos lugares errados, em cargos e funções que não seriam as mais interessantes para alguém com aquela formação e perfil (como pessoas com formação técnica ou superior que buscam vagas operacionais acreditando que terão alguma vantagem por terem mais formação - geralmente não terão). Outras vezes, apesar do currículo ser bom, o perfil da pessoa não é compatível com a vaga ou com a filosofia da empresa. Ou, ainda, a pessoa tem um ótimo currículo, um perfil interessante, mas na hora da entrevista acaba não conseguindo passar essas informações de maneira adequada, se for este o caso seria interessante trabalhar a comunicação. Em outros casos ainda, apesar do ótimo currículo, a pessoa não se envolve com o que faz, apenas "cumpre tarefas". E uma pessoa treinada para observar comportamentos e discursos identifica essa falta de envolvimento (com o trabalho, mas também com ela mesma).

Se você procura um emprego há tanto tempo sem sucesso, talvez seja o momento de, ao invés de buscar a oportunidade ideal, criar a sua oportunidade. Você não me contou qual é o seu ramo de atuação, mas hoje em dia é possível criar o nosso próprio trabalho em praticamente qualquer área (seja atuando como um profissional autônomo, seja abrindo o próprio negócio), criando a nossa própria oportunidade ao invés de esperar por uma. Seria interessante reavaliar sua vida profissional e fazer um panejamento de carreira com um profissional. Assim você terá um plano em mãos, de acordo com a formação que tem, seu perfil e suas metas. Quando comparamos e unimos esses elementos, aliando o perfil da pessoa a um panorama do mercado, os caminhos se traçam. É mais conveniente andar com um plano claro do que tatear no escuro.

Boa sorte e sucesso!
beijos
Bia

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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

14 sinais de que é hora de ir ao psicólogo

"Os problemas significativos que enfrentamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando os criamos." - Albert Einstein (1879-1955), físico alemão.

Muitas pessoas me perguntam como saber se é preciso procurar um psicólogo. Outras se assustam quando sugiro isso e algumas até mesmo deixam de falar comigo. Sou da opinião que todos deveriam, em algum momento da vida, consultar um psicólogo. Não porque precisem, mas porque merecem. Todos merecem a paz interior que o autoconhecimento e a reflexão podem trazer. Todos merecem sentir que estão bem consigo mesmos e que dão conta dos desafios das suas vidas. Em geral, as pessoas vão ao médico ou ao dentista com frequência para saber se tudo vai bem... mas só aparecem no psicólogo quando o problema estoura! Pensando nisso, separei alguns sinais de que está na hora de marcar um horário com o seu psicólogo, antes que as coisas possam piorar. No final de cada tópico, coloquei alguns textos aqui do blog que podem interessar quem se identificou com o assunto.



1- Desânimo
Parece que as coisas perdem o brilho. Aquelas atividades que antes eram tão interessantes já não chamam a nossa atenção. Até cumprimos as nossas tarefas, mas não com a disposição de antes. Se pudéssemos escolher, talvez preferíssemos passar o dia na cama, dormindo ou vendo qualquer coisa na TV. Parece que o cansaço é sempre maior que o interesse por aquilo que gostávamos. A situação pareceu familiar? Fique atento se isso só acontece nos dias mais cheios de atividades desmotivadoras ou se mesmo nas horas livres e de lazer o desânimo aparece. Famílias, cuidado especialmente com adolescentes e idosos neste tipo de situação. Avaliem se o cansaço do adolescente é real por uma época cheia de atividades (como o fim do ano escolar) ou se o "tédio" é uma constante companhia... No caso dos idosos, o desânimo perante à vida também é um dado importante que, se duradouro, pode ser um sinal de algo mais sério. Lembrando que, de vez em quando, todos se sentem assim e podem ficar um pouco mais cansados, mas aqui falamos sobre pessoas para quem essa situação já vem se arrastando há algumas semanas.
Héstia: o fogo sagrado que nos anima
Tudo pronto para o recomeço
La loba: recuperar a si mesmo

2- Ansiedade
Não importa se você sempre foi ansioso ou se começou de uns tempos para cá. Quando excessiva (especialmente quando começa a se manifestar fisicamente, com taquicardia, suores frios, alterações de apetite, etc.), é importante ir ao psicólogo ver o que está acontecendo. Muitas vezes, este sintoma tão desagradável é bem simples de tratar. Outras vezes, a ansiedade é parte de um quadro clínico mais complexo, que precisará de um tratamento um pouco mais longo. De todo modo, é um sinal importante, mesmo quando isolado, de que existe algo em nós que precisa ser visto com mais cuidado. É normal ficar ansioso antes de algo novo ou muito importante para nós. Mas está longe de ser normal ter reações de suor frio e taquicardia quando estamos atrasados, ou parados no trânsito ou, ainda, em momentos que seriam tranquilos, como o banho ou a hora de dormir. Na criança a ansiedade é mais significativa e, muitas vezes, mostra com clareza que algo não vai bem. Muitas vezes aparece na forma de medos excessivos e "de tudo". Já na adolescência, devido às grandes mudanças (no corpo, nos interesses, no dia a dia) e à necessidade de se sentir aceito pela insegurança/inexperiência comum nesta fase, a ansiedade já não é um sintoma tão significativo, a não ser quando excessiva, quando dificulta ou impede que o jovem leve uma vida normal.
Como lidar com o estresse
Criança com muitos medos
Sekhmet: tenho raiva!

3- Sintomas psicossomáticos (ou seja, sintomas físicos - alergias, pressão alta, gastrite, dores de cabeça frequentes, TPM, distúrbios alimentares, etc.)
Quando uma emoção se manifesta na forma de sintomas físicos, ela já tentou falar conosco por diversos outros meios menos doloridos. Só isso já seria um bom motivo para procurar um psicólogo (por que só paramos para escutar a nós mesmos com a dor?). Algumas vezes isso acontece porque nos negamos a pensar sobre aqueles sonhos que andamos tendo, ou preferimos não dizer aquelas palavras entaladas na garganta, tentamos (em vão!) esquecer aquela cena que presenciamos ou aquelas palavras que ouvimos, deixamos de lado os desejos de seguir outros caminhos... O inconsciente é sábio e persistente, ele sempre conseguirá o que quer, a todo custo! Algumas vezes, o custo é a nossa saúde e bem estar. Por isso, é importante além de solucionar a causa emocional do sintoma/doença, aprender novas formas menos dolorosas para que o inconsciente se expresse.
doenças psicossomáticas
Oxum: a cura através do amor
Menstruação: saúde e símbolos
Seu corpo conta a sua história

4- Orientação vocacional e planejamento de carreira:
Qual profissão seguir? Como saber se tenho um perfil compatível com tal profissão, aumentando minhas chances de sucesso e de me sentir realizado? A orientação vocacional pode dar boas respostas. Não, o psicólogo não vai dizer o que fazer, muito menos um teste dirá. O que acontece é que a pessoa é submetida a uma bateria de testes, procedimentos e dinâmicas e atividades que auxiliem a reflexão e a tomada de uma decisão consciente e autônoma. Com isso, ao fim do processo temos uma ótima base do perfil da pessoa, que pode ser associado a determinadas profissões e áreas de atuação sugeridas. Quem já tem uma formação e uma carreira em andamento, pode se beneficiar do planejamento de carreira. Pode organizar-se e criar estratégias para crescer, seja se especializando, abrindo o próprio negócio, crescendo na empresa em que atua ou como mandar a realização de cada um! A ideia aqui é fazer um balanço daquilo que já fizemos e conquistamos, um exame detalhado dos sonhos e, com esse material em mãos, planejar quem visamos nos tornar profissionalmente (o que não deixa de passar pela vida pessoal).
O que é ter foco?
Perséfone: quem você foi antes de se tornar quem você é?
A escolha profissional e a área psi


5- Distúrbios do sono
Nas grandes cidades, por volta de 70% das pessoas sofrem com algum distúrbio do sono. Aqui entram as crises de insônia ou sono interrompido, os pesadelos, ronco e apneia do sono (o não tratamento aumenta em 5 vezes a possibilidade de morte por doenças cardíacas ou acidente vascular cerebral), terror noturno, entre outros. O sono é um dos grandes responsáveis pela nossa saúde física e psicológica. Logo, quando não dormimos bem, dificilmente estamos em equilíbrio. Com isso, quero dizer que não estamos tão saudáveis quanto poderíamos estar, por isso, é bom tratar desses sintomas antes que as coisas se compliquem.
Dormindo me fortaleço
O que os seus sonhos dizem sobre você

6- Questões da sexualidade
Importante: a conversa aqui NÃO é sobre homossexualidade. Psicólogos não "curam" homossexuais, visto que a orientação sexual de alguém é uma questão de identidade, isto é, a homossexualidade é uma questão que conta sobre quem somos e como nos reconhecemos e somos reconhecidos, não tem nada a ver com saúde ou doença. Isto claro, falemos sobre as questões da sexualidade que podem melhorar caso a pessoa procure um tratamento psicológico. Isso vai desde certa dificuldade em lidar com a própria sexualidade (e com a dos outros!), até questões como impotência sexual, pessoas que não sentem prazer na relação sexual ou que têm algum tipo de desconforto. Em tempo: pessoas que têm compulsão por sexo também precisam de tratamento. Não quero dizer gostar de sexo, normalmente todos gostam... Falo sobre compulsão, sobre o descontrole dos desejos de forma que isso dificulte o dia a dia normal. Ah! Quem tem sente desejo sexual forçando pessoas a terem relações sexuais ou sente desejo por crianças, busque tratamento. Seguem os links para alguns textos do blog sobre o tema, basta clicar:
Como falar de sexo com a filha
Homossexualidade e aceitação da família
Sexualidade e relacionamentos amorosos na terceira idade

7- Não dar os próximos passos na vida
Talvez você conheça alguém assim... a pessoa levava uma vida normal, talvez até se destacasse. Era um bom estudante, mas depois que entrou na faculdade, se "acomodou", não tem o pique de antes, só cumpre tarefas. Ou a pessoa que relaxou demais na vida depois de abrir o próprio negócio e não percebe o imenso potencial de crescimento que pode ter se se empenhasse um pouco mais. Ou que estancou na vida depois de conseguir um emprego mais estável. Em casos assim, a primeira coisa a ser questionada é se a pessoa quer dar o próximo passo ou se está feliz onde está. Se ela estiver satisfeita e em equilíbrio, não há problemas aqui. O problema começa quando a pessoa até quer mudar ou avançar, mas pensa que não é capaz ou não sabe como, ou apenas não toma atitudes. Um psicólogo pode ajudar a rever prioridades e estabelecer metas (profissionais ou pessoais) e estratégias de ação.
Nu Kua: criar ordem e ritmo na vida
Para que as rotinas?

8- Conflitos e questões emocionais
Gosto de dizer que toda emoção é normal. É isso que fazem os seres vivos, eles sentem; e é isso o que nos torna humanos, atribuir sentido ao que sentimos e percebemos. Algumas emoções, no entanto, podem ser mais incômoda do que outras quando não sabemos lidar com elas. Algumas pessoas não sabem lidar com a raiva, ou com o medo, ou com aquele sentimento chato de não ser aceito e de não se sentir pertencente a um grupo importante para a pessoa (como a família, o grupo de amigos para o adolescente, o grupo social mais amplo...). Algumas vezes, temos sentimentos ambivalentes sobre algo ou alguém. Ou então queremos fazer tal coisa, mas não podemos (por culpa, por medo, por circunstâncias da vida, etc.). Um conflito não é necessariamente uma "briga", pode ser apenas uma situação mal resolvida ou uma dificuldade em integrar situações, relações e sentimentos que aos nossos olhos parecem não se encaixar. Algumas vezes os conflitos emocionais são mais claros. Outras, eles são percebidos nos sentimentos de não conseguir se envolver com nada, não encontrar um lugar onde se sinta bem e pertencente, ou ainda se mostra na baixa autoestima, medos, inseguranças, tristeza ou desânimo "sem motivo"...
Alguns artigos que podem interessar:
Por que não consigo um relacionamento estável?
Timidez
Beleza, autoestima e a menina mais feia de Esparta

9- Conflitos com outras pessoas
Muitas vezes, o conflito que motivou a visita ao psicólogo é com uma pessoa em especial, quase sempre alguém próximo como o filho, os pais, o cônjuge... Outras vezes, o conflito de relacionamento é mais generalizado, mas se percebe no discurso da pessoa que o conflito segue um padrão. Por exemplo, muitas pessoas têm conflitos com autoridades, outras com pessoas de gerações mais velhas ou mais novas, e por aí vai. Algumas vezes o conflito acontece porque não sabemos separar bem nós mesmos do outro. Em outros casos, talvez a pessoa tenha se deparado com alguém que pensa que sempre tem razão (ou seja, ela mesma, alguém assim!). Seja qual for a causa e a situação de conflito, um psicólogo pode ajudar a deixar as coisas claras, favorecendo o fechamento da questão. Ele não vai resolver seu problema, mas pode te ajudar muito a repensar a sua postura e suas atitudes. Dependendo do caso, é possível fazer uma psicoterapia de casal ou de família.
Conflitos entre adolescentes e pais
Saber ouvir
A arte de construir pontes
Relacionamentos dançados
Pessoas difíceis de lidar
Tântalo: a necessidade de se sentir especial
Pessoas que acham que sempre têm razão

10- Não ter metas/sonhos/planos
O que você espera para o futuro? Muitas pessoas, quando se dão conta de que não têm planos, sentem que todo o trabalho e a correria do dia a dia meio que perde o sentido. O que pretendemos realizar na vida? Para que levar a vida desse jeito se nem sei onde quero chegar? Essas questões têm relação com o sentido que atribuímos à nossa existência e que direciona as nossas metas e estratégias. Quando não vivemos de acordo com esse sentido que damos à vida (e do qual nem sempre temos consciência - sem que isso seja, necessariamente, um problema), as nossas atitudes passam a ser aleatórias, dificultando a realização pessoal e podendo promover transtornos, como sentimentos depressivos, de ansiedade ou de menos valia.
Alguns artigos:
10 sinais de que você vive as expectativas dos outros
Isis: recuperar as esperanças
Kali: o fluir da vida

11- Dificuldades na escola ou no trabalho
Aqui entram as dificuldades sociais, como problemas de relacionamento nesse contexto, seja com colegas, professores, superiores, subordinados, clientes... Entram também dificuldades específicas que comprometam o desempenho, como medo de falar em público, problemas com prazos e ao cumprir tarefas e projetos, dificuldades em estabelecer planos, em estudar e mesmo problemas de aprendizagem (gerais ou específicos - leitura, cálculos, escrita...). Dificuldades em se expressar ou em manter a atenção também podem ter grandes melhoras com o tratamento psicológico.
Quem tem medo do sucesso?
Sugestões para estudar melhor
Hefesto: rejeição e compulsão por trabalho
Perfeccionismo: quando o carrasco é você!

12- Traumas e percalços da vida
Não controlamos tudo o que nos acontece. Algumas vezes as coisas fogem ao nosso poder de escolha e a vida toma rumos que nos surpreende de forma ruim. Falo, agora, das grandes perdas, situações de crise, lutos difíceis, passar por situações de violência e agressões (físicas, sexuais, psicológicas...). Enfim, toda situação em que nos vemos ameaçados pode ter um desfecho mais equilibrados quando temos com quem dividir a angústia da não existência. Olhar para o que aconteceu, em companhia do psicólogo, que saberá se locomover com a pessoa através da situação complicada, pode ser de grande ajuda para superar o que se passou.
Falando sobre a morte: as perdas e o luto
Estupro e violência sexual
Abuso sexual (o que fazer?)
Hécate: atravessando as crises

13- Transtornos, síndromes e distúrbios neuropsicológicos
Déficit de atenção, hiperatividade, sequelas de AVC (acidente vascular cerebral), Alzheimer, sequelas pelo abuso de álcool, drogas e outras substâncias, assim como a dependência química, dificuldades de aprendizagem, dificuldades em lidar com as emoções, distúrbios de sono, questões ligadas à atenção, memória, planejamento, ou ainda na atribuição de significado e sentido ao que se percebe... Toda questão psicológica e emocional passa, obrigatoriamente, pelo nosso cérebro, com seu funcionamento e equilíbrio neuroquímico muito delicado. Por isso, é apenas fazendo uma avaliação neuropsicológica com um profissional que se pode estabelecer com clareza a dimensão do problema, prognósticos e as melhores opções para a habilitação ou reabilitação das funções neuropsicológicas lesadas ou não habilitadas.
Como ser mais criativo
Ativo ou Hiperativo?
Suicídio: quando a vida pesa demais

14- Prevenção
Por último, mas longe de ser o menos importante! A prevenção se dá quando conhecemos bem a nós mesmo e a nossa forma de agir e reagir às diferentes situações da vida. Crescemos muito quando passamos por um processo de autoconhecimento. Temos a oportunidade de conhecer quais são as questões mais complicadas para nós e trabalhá-las. Especialmente quem estuda psicologia ou trabalha com isso (ou com pessoas em outros contextos - na área da saúde, educação, lazer, no comércio...), eu indicaria passar por um processo psicoterapêutico. Não há como mexer nas questões dos outros de maneira responsável se nunca nem sequer olhou para as próprias. No mais, todos podem se beneficiar com um a psicoterapia preventiva. Somos aquilo que de mais precioso temos e merecemos, especialmente nestes tempos mais tumultuados, um espaço-tempo para trabalhar aquelas questões que nos mobilizam ou mesmo para conhecer melhor a nós mesmos.
Kinich Ahau: trazer a sombra para a luz
Criando o diário de sonhos
Mandalas: a busca pelo centro
Como meditar e os benefícios da meditação

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Mythos - Tântalo: a necessidade de se sentir especial

Sabe aquelas pessoas que precisam se sentir especiais? Não digo especial da forma que todos somos, cada um em suas particularidades, mas sim sobre aquelas pessoas que exageram na dose e acabam pensando que são muito mais especiais, capazes, incríveis e "poderosas" que todas as outras pessoas juntas! Acho que todos já conheceram ou conhecem alguém assim. Este é um mito sobre Tântalo, um homem que cometeu este engano.

Tântalo era o rei de Corinto (em outras versões, de Argos). Como era filho de Zeus e de uma ninfa, muitas vezes era convidado para os banquetes do Olimpo. De tanto frequentá-los, Tântalo passou a se sentir cada vez mais aceito no grupo, cada vez mais confiante, a cada visita se achava mais parecido com os deuses, até chegar ao ponto em que começou a se achar muito mais especial e poderoso do que qualquer um deles! E nada é pior recebido por um deus do que este tipo de atitude...

Coisas desagradáveis começaram a acontecer nas ocasiões em que Tântalo estava por perto. Certa vez, ele roubou um pouco de néctar e ambrosia (que só os deuses podiam comer) e deu para humanos! Além disso, por conviver bastante com os deuses, Tântalo sabia de muitos dos segredos deles e, querendo ser admirado entre a humanidade como alguém que mantinha contato próximo com as divindades, ele espalhou esses segredos, traindo a confiança dos deuses!

Se os deuses já estavam desapontados (para ser educada!) com Tântalo, a terceira atitude dele para se mostrar superior foi a gota d'água. Ele convidou os deuses para jantar e teve coragem de servir o filho, Pélops, em pedaços. Tântalo achou que seria interessante fazer algo absurdo como isso apenas para averiguar até onde podia ir o conhecimento e os poderes dos deuses. Eles, horrorizados, notaram que os pedaços de carne eram o corpo do jovem. Na Grécia Antiga, um crime contra alguém da própria família era especialmente abominável. Isso, após a morte, era punido no tártaro, a área mais terrível do mundo dos mortos.

Reordenando o caos que se instaurou, Zeus reuniu os pedaços do corpo de Pélops e ordenou que fossem colocados no caldeirão de Cloto. Cloto era uma das três divindades que teciam o destino dos humanos, da fiação da linha da vida até o seu corte/morte. Quando saiu do caldeirão, inteiro e vivo outra vez, Pélops se tornou amante de Posídon, o deus dos mares. Quanto a Tântalo, Zeus o enviou ao mundo dos mortos, onde receberia a devida punição de Hades, deus dos mortos e rei do mundo inferior.

Aqui a história se divide. Há duas versões para a punição de Tântalo. Na primeira versão, ele teria sido condenado a passar uns bons séculos se equilibrando sobre uma pedra roliça, buscando um equilíbrio perfeito e inatingível. Na outra versão, mais cruel, Tântalo foi amarrado a uma árvore frondosa. O problema é que ele nunca receberia comida e, apesar de haver um fruto maduro e apetitoso pendendo bem próximo à cabeça dele, toda vez que Tântalo tentava morder, o galho da árvore se movia para longe dele. Além disso, o local era alagado, a água fria chegava até o pescoço dele, mas sempre que, sedento, Tântalo abaixava a cabeça para tomar um belo gole, o nível da água baixava de maneira que ele não pudesse alcançá-la. De toda forma, o castigo de Tântalo, seja ele qual for, nos fala sobre a dificuldade de não se contentar com menos que o inatingível, e as consequências terríveis que isso pode ter: perder o nosso equilíbrio, deixando de lado as nossas necessidades mais básicas enquanto tentamos mostrar que somos os deuses (que, nós mesmos sabemos, estamos bem longe de ser!).


Questões para reflexão:

1- Sobre o filho de Tântalo, o jovem Pélops. Quando ele é cortado em pedaços e servido aos deuses, ele se transforma numa oferenda, numa vítima sacrificial. Ele é o bode expiatório, ou seja, aquela pessoa sobre quem todos os "males" são projetados para que, no momento do sacrifício (que em latim significa "tornar sagrado"), todo o "mal" (em termos de energias, influências, características, etc.) seja banido. Quando fazemos um sacrifício de forma consciente, damos um sentido às nossas dores e penúrias, mesmo que no final estejamos "em pedaços" como Pélops. No final, quando ele é colocado no caldeirão de Cloto, ele recupera a si mesmo. Falamos sobre caldeirões que devolvem a vida também no mito da deusa celta Ceridwen (clique aqui para ver), e encontrar o mesmo símbolo em outra cultura nos mostra o quanto o caldeirão enquanto "útero criador e transformador" está presente de forma simbólica na nossa psique. Mas voltando a Pélops, ao recuperar a si mesmo, o jovem se torna amante de Posídon. Posídon é o deus dos mares, e pode ter emoções calmas e profundas como o oceano, mas quando se aproxima uma tempestade, pode se tornar agitado e revolto... Assim somos todos nós. Logo após uma grande crise que nos deixa em pedaços, nos reconstruímos e recuperamos a nossa integridade, e é normal nos tornarmos "amantes de Posídon", flertando com emoções ora profundas e tranquilas, ora tempestuosas.

2- Sobre a atitude de Tântalo. Ele tinha confiança em excesso, como todos notaram. É claro que é uma delícia quando nos sentimos confiantes, quando sentimos que somos capazes de algo e nos arriscamos a fazer as coisas caminharem para onde queremos. Mas todo tipo de excesso mostra um desequilíbrio. A confiança de Tântalo em si mesmo e em suas capacidades era tão excessiva que ele julgava poder superar todos os outros, até mesmo os deuses! Quando isso acontece, ficamos desprotegidos, tal como no mito. Não porque somos especiais ao ponto de ser um alvo visado, mas sim porque nós mesmos "abrimos a guarda" e deixamos de pensar nas consequências do que fazemos. Tântalo foi o causador da própria má sorte.

3- As duas versões do castigo recebido por Tântalo refletem o comportamento que ele teve: buscar uma perfeição que ninguém tem, nem mesmo os deuses! Os deuses gregos nunca prometeram perfeição à humanidade. Aliás, muitas vezes eles tem qualidades super destacadas, mas também defeitos que não apenas são dignos de nós, humanos, muitas vezes chegam a ser quase caricatos, como a infidelidade de Zeus ou as mentiras e roubos de Hermes. É fundamental que a gente conheça os nossos "defeitos" e fraquezas. Não falo daquele ponto de vista de buscar superá-los, pois acredito que toda característica pode ser usada como um problema ou como uma grande força, dependendo do ponto de vista. Mas é apenas conhecendo bem as nossas fraquezas que podemos usá-las de maneira estratégica, seja para nós mesmos, seja para a realidade em que vivemos.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Ágora - Sonhos que acontecem

Oi Bia tudo bem? Queria perguntar na Ágora uma coisa sobre sonhos. Desde bem novinho, tem vezes que eu sonho coisas e depois elas acontecem mesmo. Li que isso se chama sonhos premonitórios e queria saber se é normal. Isso acontece com coisas ruins por exemplo quando meus avós morreram e eu já sabia antes porque fui avisado nos sonhos. Mas também acontece com coisas boas, tipo quando sonhei que estudava um exercício e acordei, estudei e ele caiu mesmo na prova de recuperação, graças a isso passei de ano. Hoje eu não me assusto mais com isso, só quando é alguma coisa de ruim que eu fico nervoso ate acontecer. Mas eu queria entender por que isso acontece, se é normal.
Evandro - Campo Grande, MS


Olá, Evandro!

Parece que você tem um contato saudável e aberto com o seu inconsciente - e isso é muito bom! Os sistemas psicológicos mais tradicionais não trabalham com essa possibilidade dos sonhos acontecerem, pois para essas formas de ver e interpretar a realidade, os sonhos não passam de conteúdos mentais reprimidos. No entanto, existem teorias psicológicas mais abertas, que aceitam e encorajam um contato mais aprofundado com o inconsciente. Nesse segundo modelo, os conteúdos dos sonhos não se limitam a materiais reprimidos, o sonho nos traz toda uma dimensão simbólica carregada de significados transformadores.

Independente da teoria psicológica através da qual pensemos, uma coisa é certa: a partir do momento em que consideramos a existência de um inconsciente (pessoal e/ou coletivo) e aceitamos a enorme influência dele na nossa vida, é preciso compreender duas coisas sobre o inconsciente: ao contrário da consciência, da nossa vida concreta, no inconsciente não existe tempo e nem espaço. É como um mundo mítico. Todos os tempos são presentes e todos os espaços podem ser acessados. No inconsciente (não como um lugar, mas como uma forma de funcionar e de se movimentar pelo mundo), tudo é possível, a realidade que conhecemos, limitada por uma série de condições físicas, espaciais e temporais, se redefine e ganha novos contornos, os contornos que acreditamos serem aplicáveis a nós mesmos e à nossa vida. Passado e futuro, lá e cá, perto ou longe deixam de existir e perdem o significado. Tudo é aqui. Tudo é agora.

Entendido isso sobre o inconsciente, vamos falar sobre a sua situação, Evandro. Diante dessa realidade, não percebo nada de estranho ou fora do normal no que você me contou. Desde que isso não te cause um estresse ou ansiedade excessivos, não há com o que se preocupar. Todos podem acessar as informações do inconsciente, o que acontece é que poucos se permitem verdadeiramente fazer isso.

Uma coisa legal é anotar os sonhos, pois mesmo quando não acontecem de forma literal, algumas vezes é bem perceptível a maneira como eles se mostram na nossa realidade concreta através de sincronicidades ("coincidências") carregadas de sentido. Quanto mais trabalhamos com os nossos sonhos, mais nos lembramos deles e mais claros eles se tornam, pois nos familiarizamos com seus símbolos. Se quiser aprender a criar um diário de sonhos e a trabalhar com ele, clique aqui.

Caso você fique muito apreensivo quando sonha com algo ruim, é interessante trabalhar com ordens mentais. Quando se deitar para dormir, dê a si mesmo a ordem de que irá se lembrar de seus sonhos e que os sonhos serão construtivos e trarão bem estar e crescimento. Dê a ordem pensando com clareza e em frases curtas, sempre positivas (evite termos como "não", "nunca", etc.). O resultado costuma ser muito bom!

Bons sonhos!
beijos
Bia


Para participar da coluna Ágora, envie a sua pergunta para o email bf.carunchio@gmail.com, você também pode participar enviando sua pergunta através da nossa página no Facebook ou do meu perfil pessoal.  Você tem a opção de se identificar ou de se manter como anônimo.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Realizar e capacitar: qual a sua estratégia?

"Quanto mais realização pessoal houver, menor será a angústia da morte." - Arthur Schopenhauer (1788-1860), filósofo alemão.

O tema de hoje surgiu há algum tempo atrás, numa conversa com uma leitora e colega de profissão muito querida, que preferiu não se identificar. Falávamos sobre capacitação, qualidade em serviços e outros assuntos ligados à vida profissional, quando identificamos uma questão que costuma angustiar vários dos nossos pacientes: se todos acham aquilo que faço tão bom, por que não me sinto realizado?

Muita gente fala sobre realizar... nas empresas, na mídia, nas promessas de final de ano. Mas o que é realizar? Na minha forma de ver, realizar é quando trazemos para a realidade algo (um projeto, um sonho, uma ideia) que até então só existia no mundo dos pensamentos.

Já capacitar pode ser compreendido como tornar capaz. As pessoas se capacitam conforme sentem que são capazes de realizar algo, pouco importa se este "algo" for um grande projeto profissional, um bolo para o café da tarde ou organizar a nossa rotina pessoal, por exemplo. Quando realizamos, nos sentimos capazes, e isso nos faz crescer e amadurecer, pois além de aumentar a autoconfiança, sentimos que a nossa vida e as nossas escolhas estão nas nossas mãos.

Dificuldades em lidar com estratégias e planejamento de ações? Aprenda a jogar xadrez!
Esse jogo melhora o raciocínio e foi, ao longo da história, usado para desenvolver o pensamento estratégico
de grandes reis e líderes!

Mas algumas vezes na vida, parece que realizamos um bom trabalho, todos reconhecem a validade e a eficiência daquilo que fizemos, era um serviço necessário, todos estão satisfeitos e até elogiam... mas a pessoa que fez não se sente realizada! Essa é uma situação frequente na clínica quando são discutidas questões de trabalho, ou mesmo questões pessoais. Se todos acharam o que fiz bom, por que não estou feliz? Existem algumas possibilidades por trás desse tipo de situação. Vamos a elas!

1- Padrão de qualidade muito alto:
Algumas pessoas têm um padrão de qualidade tão alto que visam sempre a excelência. Para pessoas assim, não basta cumprir a tarefa de forma satisfatória, ela precisa estar excelente! Claro que não há problemas em querer se superar e melhorar cada vez mais. O problema começa quando a pessoa se deixa levar pelo perfeccionismo, colocando para si mesma metas e padrões cada vez mais inatingíveis, e passa a sofrer com isso.

2- O ideal é muito diferente do real:
Algumas vezes imaginamos uma coisa e criamos outra. Seja por falhas de projeto, seja pela forma como as circunstâncias se desenrolaram, seja por falta de atenção, por estar pouco capacitado para a tarefa, ou mesmo por fatores que fogem ao nosso controle. Mesmo que o resultado tenha sido satisfatório e até que os outros o considerem muito melhor que o plano original, pode ser que exista alguma frustração. Como já comentei em outros artigos, nem sempre as coisas saem como planejamos. Algumas vezes, entre o real e o ideal, precisamos encontrar o possível e saber lidar com ele. Sempre visando acertar e melhorar, mas dando as boas vindas ao inesperado. Se você se identificou com este ponto, saiba que muitos "erros de projeto" acabaram por mudar o mundo, como a invenção da penicilina, o primeiro antibiótico, que revolucionou a nossa visão de saúde e de doença.

3- Não era bem isso que queria fazer...:
Será que você está seguindo as expectativas dos outros em lugar das suas próprias? Ou está se deixando guiar pelos valores que a midia e "todo mundo" acredita serem melhores e mais eficientes (mas que, talvez, não sejam os melhores para você)? Quando isso acontece, até ficamos felizes com a tarefa que realizamos, mas ela não nos diz nada. É apenas uma tarefa que cumprimos e que terminou, não houve grande envolvimento e nem um sentido maior para nós. Assim, a satisfação (quando existe) também não é tão forte quanto seria ao executar uma obra em que realmente acreditamos e que valorizamos. É preciso que nossas ações reflitam os nossos próprios valores, não aquilo que os outros pensam, ou que a gente "deveria" fazer. Senão, a vida que vivemos não é exatamente nossa, é uma fachada mal decorada daquilo que a sociedade espera de nós (mas que ela mesma, muitas vezes, não cumpre em retorno). Se você se identificou com este ponto, vai gostar do artigo 10 sinais de que você vive as expectativas dos outros (clique!).

4- Na verdade, o foco é outro:
Em alguns casos, não é o nosso maior sonho fazer certa tarefa, mas é preciso executá-la satisfatoriamente, cumprir essa etapa para que outra venha. É o caso do estudante que precisa estudar certos temas menos interessantes para poder concluir o curso; das mães, pais, avós, etc. que precisam cumprir certas tarefas menos divertidas, mas fundamentais para o bom andamento da casa e o bem estar da família; do profissional que ama o lado criativo do seu trabalho mas que mesmo assim precisa se dedicar a tarefas mais operacionais para que a coisa dê bons resultados. Se este for o caso, não há muito o que fazer, a tarefa precisa ser cumprida e o melhor que podemos fazer é nos envolvermos com ela para que os resultados sejam bons e não comprometam o restante.

5- As pessoas não têm o hábito de criticar:
Falam muito sobre pessoas que não sabem ouvir críticas, mas existe o outro lado: pessoas que não sabem criticar. Não fomos ensinados e menos ainda encorajados a isso neste modelo de sociedade em que vivemos. Muitas vezes as críticas, mesmo quando são gentis e construtivas, são vistas como ataques. Já cheguei a ouvir de uma colega "não gosto do Fulano porque ele é crítico demais". Quando ter opinião própria vira uma característica ruim, perdemos toda a possibilidade de mudança e de promoção de melhorias. É fundamental ter crítica e também saber ouvir críticas, daquelas bem fundamentadas e construtivas. Mas, voltando ao tema do artigo, muitas vezes a coisa realmente não está lá tão boa assim, mas simplesmente a maioria das pessoas é condicionada a dizer que tudo está lindo e perfeito. E aí entra a nossa própria crítica, que nos conta que às vezes aquilo que fizemos não ficou tão bom.

Para terminar, gostaria que a gente conversasse um pouco sobre as estratégias. É fundamental ter clareza das estratégias que usamos em cada tipo de tarefa. Não basta sonhar, é preciso criar um plano de ação, isto é, uma estratégia. Isso significa pensar o "como?", o caminho que precisamos seguir até atingir a nossa meta. Quando temos um planejamento claro, se torna mais viável trazer as nossas ideias e sonhos para o mundo real, pois sabemos com exatidão o que precisamos fazer. Isso aumenta a nossa eficácia e diminui a ansiedade, uma vez que quando a estratégia é clara, não precisamos repassar o caminho tantas vezes, basta ficar atento para não se desviar da trilha! Se sonhamos seguindo aquilo que nós mesmos valorizamos, nos ocupamos de planejar e colocamos em prática com eficácia as estratégias (da execução ao discurso sobre aquilo que produzimos), então as chances de nos sentirmos felizes com a nossa obra e reconhecer o trabalho bem feito aumentam. Porque deixamos de buscar a perfeição ou algo que agradasse aos outros e passamos a dar o nosso melhor.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Mythos - Curupira: nossas defesas e proteções

Hoje temos aqui o Curupira, uma personagem do folclore brasileiro. O nome vem do tupi, língua falada por um grande grupo étnico indígena e vem de duas palavras. "Curu" vem de curumim, menino, criança. E "pira", que significa corpo. Assim, o Curupira é um ser com corpo de criança.

Ele é normalmente descrito como um menino com os cabelos de fogo, outros dizem que são cabelos como os dos humanos, mas ruivos como o fogo. Dizem que tem os dentes pontudos, que os olhos brilham durante a noite e que corre pelas matas montado num porco do mato. Mas a característica mais marcante são os pés virados para trás. Graças aos pés invertidos, ele confunde aqueles que querem segui-lo para impedir que ele salve as matas e os animais das garras de caçadores, lenhadores e daqueles que destroem as matas. Além de ter os pés ao contrário, o Curupira é muito veloz! Ninguém, nem mesmo o corredor mais veloz, poderia alcançá-lo numa corrida. Além disso, ele é muito forte e astuto, tem poderes mágicos e sabe mudar de forma. Todo aquele que é ameaçador para a natureza pode reconhecer o Curupira como um perigo. 

Curupira, obra de Regiph - DeviantArt.

Diz o povo lá do interior do país que algumas vezes o Curupira gosta de usar seus poderes para confundir as pessoas desavisadas que entram na floresta. Ele usa sua magia para fazê-las se perderem e segue essas pessoas, se divertindo enquanto elas tentam encontrar o caminho de volta. 

Também contam que ele gosta de levar crianças pequenas para a mata com ele. Ele fica com a criança e ensina a ela coisas sobre as plantas, os animais e a vida na floresta, mostrando também a importância de proteger a natureza. Depois de cuidar da criança por 7 anos e instrui-la, o Curupira a devolve para a família, ganhando assim aliados humanos que ajudam na preservação e proteção da natureza.


Questões para reflexão:

1- Qual é o seu maior tesouro? O maior tesouro do Curupira, que ele protege com unhas e dentes, é a natureza. E o seu, qual é? Quando identificamos o nosso tesouro, podemos perceber as ameaças e as estratégias de defesa que usamos. Essas ameaças são reais ou existem apenas no seu medo? E as defesas, são eficientes ou precisam ser ajustadas?

2- Por definição, a natureza, ou melhor, tudo o que é natural existe independente de ações humanas (artificiais, do que derivam termos como "artífice" e "arte"). Mas, claro, nem toda "arte" (no sentido de ação humana) vai contra a natureza. A ecologia pode ser compreendida aqui não apenas no sentido de proteção das matas, animais e prevenção da poluição, mas como ações que não sejam prejudiciais aos outros. Dizemos que quando queremos mudar um comportamento ou atitude, o novo precisa ser ecológico, não pode trazer prejuízos de nenhum tipo para outras pessoas ou para o meio, caso contrário, não se sustentará. Avalie suas ações e verifique se são ecológicas. Algumas vezes deixamos de seguir aquele "bom conselho" ou não nos acostumamos a novos hábitos pelo fato de não serem ecológicos.

3- Quais são as suas defesas? O que, de prático, você faz para a sua proteção (no sentido mais amplo possível da palavra)? O mínimo que podemos fazer para nos manter seguros é reconhecer as ameaças e/ou fontes de insegurança. Quais são elas? O que te desestabiliza (ou poderia desestabilizar)? Reconhecer as possíveis ameaças e inseguranças é fundamental, só assim sabemos o que proteger e de que/de quem, pensar sobre isso nos mostra o que seria mais valioso para nós (nossos valores pessoais). Depois, precisamos nos manter em equilíbrio. Equilíbrio emocional, psíquico, no mundo concreto (na alimentação, entre trabalho e lazer, sono e vigília, momentos de socialização e de solidão...). Quando mantemos certo equilíbrio, podemos nos manter nesta realidade (este lugar e este tempo) com mais facilidade e harmonia, sem nunca perder de vista as outras realidades das quais fazemos parte (passado, planos para o futuro, a realidade inconsciente, etc.) nas quais, de certa forma, também estamos presentes.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Você cabe na forma? - Atitudes que dificultam a nossa formação

"Os pais só podem dar bons conselhos e indicar bons caminhos, mas a formação final do caráter de uma pessoa está em suas próprias mãos." - Anne Frank (1929-1945), adolescente alemã de origem judaica vítima do holocausto, que deixou um diário contando suas experiências.

Há algum tempo um estudante me escreveu contando o quanto estava decepcionado com a universidade. "Parece uma continuação sem graça do Ensino Médio", dizia ele. Na conversa que se seguiu ficou claro que o que mais o incomodava era a forma como os estudantes eram encorajados a seguir um padrão em lugar de ter uma formação mais aberta, não eram encorajados a ir atrás dos temas de interesse ou a refletir mais profundamente sobre os temas estudados.

Que história é essa de "enformar"?
Não importa o que você estuda, nem se está na escola, na universidade, num curso livre ou apenas lendo sobre algo do seu interesse em casa. Você tem uma escolha: formar-se ou "enformar-se". Formar-se é unir diversas informações, de diferentes áreas de estudo, aprofundando o conteúdo no seu ritmo, questionando, enfim, quem está em processo de formação está construindo a si mesmo de uma maneira que faz sentido no próprio ponto de vista. Já quem se "enforma", tenta se encaixar em uma forma. Pense numa massa de bolo. Ela é líquida e você pode assá-la numa forma retangular, ou redonda, ou de coração... e quando pronto, o bolo será aquilo que a forma fez com que ele se tornasse! O problema começa porque nós não somos uma massa líquida e sem forma definida... Quando começamos a estudar, mesmo que ainda crianças no primeiro ano do Ensino Fundamental, já somos alguém. Temos uma história, temos sonhos, temos nossas preferências e nosso jeito de ser. E dói ter de abrir mão de quem somos para caber numa forma apertada e sem graça. No final do processo, especialmente se você frequenta um curso (sobre o tema que for, no grau que for), todos os que cumprirem as exigências de maneira satisfatória receberão o mesmo tipo de diploma. A diferença não está no mundo concreto e burocrático dos papéis e títulos. A diferença entre formar-se e "enformar-se" está na forma como nos apropriamos dos conteúdos aprendidos, na maneira como absorvemos e lidamos com as informações.

A partir do momento em que nos percebemos como sujeitos separados do mundo e dos outros, precisamos assumir a responsabilidade por nós mesmos. Conhecer os nossos desejos, o que nos faz bem e o que nos faz mal, conhecer os nossos limites (em especial, saber quando é hora de respeitá-los e quando é o momento de superá-los). Na nossa formação (seja ela profissional, pessoal, espiritual, etc.) não é diferente. Mesmo que você tenha professores excelentes, mestres sábios e tutores preocupados, a responsabilidade é sua. No mínimo, você precisa querer aprender e ir além. Precisa refletir sobre as informações que chegam até você e buscar aquelas que poderiam complementá-las. A seguir, veja alguns comportamentos e atitudes que levam a pessoa a desistir da formação e se conformar em ter de caber na forma...


Não se perceber como um sujeito ativo e responsável por si:
É fácil dizer que a educação pública é ruim, ou que você não pode fazer o curso tal, ou que não conhece alguém para te ensinar tal coisa... Mas, pergunto, e o nosso papel enquanto sujeitos ativos no processo de aprendizagem? Hoje em dia, a internet facilita muito a busca por todo o tipo de informação. Isso além das livrarias e bibliotecas, das próprias pessoas que têm boa vontade em passar informações a diante. Mas é preciso querer essas informações, e a realidade é que muita gente não quer...

Não saber lidar com as frustrações:
É mais fácil suportar a dor e o tédio de ter de se encaixar numa forminha apertada do que enfrentar os desafios e incertezas que a verdadeira formação nos traz. Pouca gente tem tolerância à frustração o suficiente para se envolver num processo sincero de formação, em que a pessoa estuda, pensa, critica, questiona, tem suas verdades e certezas o tempo todo colocadas à prova e transformadas.

Não se envolver:
Para as coisas darem certo, precisamos nos envolver com elas. Pouco importa se falamos sobre a formação universitária, um caminho espiritual, um relacionamento, o planejamento daquela viagem especial... Quando a gente não se envolve a meta dificilmente é alcançada. Porque com esse tipo de atitude dizemos a nós mesmos (e aos outros) que a formação é algo pouco importante, que está em segundo, terceiro, quarto plano na nossa vida.

Não questionar:
Questione tudo. Analise tudo com crítica. Não importa se você leu naquele livro clássico e super bem conceituado ou se quem te passou a informação foi uma pessoa experiente e confiável. Todos somos passíveis de erros. Mas do que isso, é apenas questionando e analisando com crítica que nos apropriamos de verdade das informações, pois é neste processo que elas encontram eco no nosso mundo interno.

Pensar apenas nos "direitos":
Sim, todos temos direitos. Mas também temos deveres... E enquanto não assumirmos a responsabilidade pelos nossos deveres (por nós mesmos), a liberdade de ação e de pensamento sempre parecerá algo distante e até ilusório. Não existe autonomia, "liberdade", quando pensamos apenas em direitos e ignoramos os deveres. Eles não se fazem sozinhos. E são, sim, responsabilidade nossa!

Querer tudo pronto:
As coisas dão trabalho. Ninguém nasceu pronto, por isso todos nós tivemos (temos!) que ir atrás daquilo que nos tornamos e/ou pensamos em nos tornar. E isso pode doer. Dá trabalho. Leva tempo. Exige alguns sacrifícios. E algumas pessoas apenas não aceitam isso, preferem que a coisa toda já venha pronta e gostosinha, como num fast food mal acabado. Entrar na forma com certeza daria menos trabalho. Bem menos trabalho... Mas provavelmente traria perdas e exigiria o preço de nos tornarmos algo que não faz sentido para nós. E, acredite, as consequências a médio e longo prazo não serão agradáveis.

Querer tudo agora:
Respeite os ritmos. Sei que vivemos num mundo imediatista e exigente, mas as coisas têm o seu próprio tempo, doa a quem doer. Formar-se não é só acumular conhecimentos. É principalmente dar sentido a essas informações e habituar-se a agir/existir nos novos papéis com naturalidade. E isso leva tempo. A vida tem um ritmo. Nosso processo de aprendizagem, de construção de nós mesmos, também tem um ritmo próprio, diferente para cada pessoa, e isso precisa ser respeitado, em especial por nós mesmos.

Mais fotos da Oficina de Mandalas

Como eu disse ontem na nossa página no Facebook, aqui estão mais fotos da Oficina de mandalas! Para ver as fotos anteriores, clique aqui.

Aproveito para avisar que teremos mais uma edição da Oficina, desta vez em São Paulo. Todos estão convidados e serão bem vindos para participar e deixar fluir a criatividade, organizando e dando sentido aos conteúdos mais profundos da psique. Ainda estamos organizando esta nova edição, mas assim que tiver mais informações, aviso vocês.

Estas são as fotos do segundo dia da Oficina de Mandalas!

No domingo conversamos um pouco mais sobre o "criar" e a oportunidade que temos de tomar nossa vida em nossas mãos, fazendo nossas próprias escolhas de forma consciente.

Nosso grupo! Optamos por grupinhos menores, assim todos ficam mais a vontade para falar livremente sobre si e sobre as questões que estão nos fazendo refletir.


Muito obrigada a todos que participaram, ao pessoal da Book Club e a todos que de alguma forma contribuíram para a realização deste projeto!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Fotos da Oficina de Mandalas

No final de semana dos dias 09 e 10 de novembro de 2013 tivemos a nossa Oficina de Mandalas lá na Book Club - Centro Cultural e Linguístico (conheça o site clicando aqui!). Quero dizer que foi uma grande alegria para mim poder levar o conhecimento sobre mandalas e promover a prevenção psicológica através do autoconhecimento. Quero, mais uma vez, deixar o meu muito obrigada a todo o pessoal da Book Club e ao grupo que participou da oficina, vocês nos receberam muito bem!

Bom, como eu sei que vocês estão curiosos, resolvi postar aqui as fotos do evento!

Até as casquinhas de lápis viraram mandalas! Mandalas estão por toda a parte,
basta querer percebê-las.

Algumas das mandalas que produzimos... Cores, formas, pintar "forte" ou "fraco"...
tudo isso conta um pouco mais sobre quem somos.

O grupo ficou super concentrado nas mandalas!

Até os docinhos (deliciosos!) foram servidos em forma de mandala! 

Todos tiveram a oportunidade de falar livremente e trabalhar seus conteúdos, tanto os mais leves do dia a dia, quanto os mais carregados de emoção como as perdas e lutos. Todos esses conteúdos estão ao redor do nosso centro e fazem parte de quem somos.

Exploramos temas diversos, como o nosso dia a dia, trabalho, relacionamentos afetivos e familiares,
planos para o futuro... sem perder o foco do nosso centro!

O grupo adorou participar de vivências como dança circular, colorir mandalas e construir as próprias mandalas,
buscando seus próprios símbolos e significados.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Mythos - O caldeirão de Ceridwen: revivendo os mortos

Hoje temos um mito celta, da deusa Ceridwen. Já encontramos esta deusa aqui na coluna Mythos há algum tempo, quando conversamos sobre Taliesin (clique aqui para ver). Como vimos no mito de Taliesin, Ceridwen era uma deusa celta ligada à magia e fertilidade, entre outros atributos. Ao mesmo tempo, era uma sábia anciã, conhecedora de histórias e mistérios da vida e da morte. Dizem que ela vive às margens do lago que leva a Avalon, ilha onde a magia fluía livre.



Sem dúvidas um dos símbolos mais marcantes de Ceridwen é seu caldeirão. No caldeirão as transformações acontecem. Conta-se que no caldeirão de Ceridwen (chamado Awen nos mitos celtas) são preparadas poções capazes de gerar sabedoria profunda ou ainda atuar como o mais letal dos venenos, curar os enfermos e até reviver os mortos. Muitas vezes associam o caldeirão de Ceridwen ao Graal, a taça usada por Cristo na última ceia e buscada incansavelmente pelo Rei Arthur e seus cavaleiros da Távola Redonda. O caldeirão é o recipiente sagrado pleno de sabedoria e inspiração. Lá, material espiritual e abstrato pode ser transformado em algo concreto e palpável, capaz de habitar a nossa realidade. O caldeirão, assim como o cálice, está associado ao útero enquanto um recipiente sagrado. No entanto, enquanto o cálice apenas recebe e guarda algo, o caldeirão tem o poder de transformar, transmutar aquilo que recebe.

Apesar de ser usualmente mostrada como uma anciã, Ceridwen tem o dom de transformar-se, e em algumas ocasiões assume a forma de mulher madura ou até mesmo de uma jovem! A fertilidade de Ceridwen, enquanto um potencial para criar, vem de sua capacidade de se transformar e de transformar a realidade através daquilo que prepara no caldeirão. Ela é associada à lua, à inspiração, às profecias e poesias, à capacidade de metamorfose e transformação (em diversos sentidos - seja a aparência física da deusa, seja a capacidade de transformar a nossa realidade), também é associada à sabedoria e ao conhecimento. É a deusa da vida e da morte, pois para os celtas, esses dois opostos formavam um todo pleno de sentido, que coloria o mundo. Aliás, todos os opostos se encontram e se harmonizam no caldeirão de Ceridwen. Ela une a paz ao caos das guerras, a vida e a morte, a saúde e a doença, os inícios aos fins. Isso porque em sua sabedoria, Ceridwen nos ensina que é justamente a harmonia entre esses opostos que faz com que algo transformador tenha a nossa permissão para acontecer na nossa realidade (interior e exterior). A vida antecede a morte, uma não pode existir sem a outra, pois é o pólo oposto que dá a razão de cada uma delas existir. Além disso, não se pode integrar opostos enquanto eles forem vistos como realidades separadas, a morte se mostra na vida todos os dias, ao mesmo tempo que existe vida na morte.


Questões para reflexão:

1- O caldeirão de Ceridwen é capaz de dar forma a muitos tipos de energia espiritual, ou seja, traz para o mundo concreto aquilo que existe apenas no mundo abstrato. Quais aspectos da sua vida precisam ser revitalizados? Ou quais estão como que adormecidos e precisam ser ativados?

2- Para os psicanalistas, o termo "fantasma" significa fantasia. Isso não tem nada a ver com o sentido popular do termo, sendo mais clara, não falo aqui sobre espíritos dos mortos ou coisas "sobrenaturais". Falo sobre as fantasias, sonhos e devaneios comuns, que todos temos, e aos quais, talvez pela correria da vida, nem sempre damos a devida atenção. Essas fantasias, ou melhor, esses fantasmas ficam na nossa psique, e enquanto não forem trabalhados, continuarão a nos assombrar! Conheça bem os seus fantasmas. Você pode percebê-los nos seus sonhos, nas intuições, sintomas ou até nas ideias que chegam "de repente". Faça as pazes com seus fantasmas. Eles podem ser a causa do nosso mal estar ou grandes aliados, só depende de como iremos lidar com eles!

3- Vamos para a cozinha! É hora de mexer o caldeirão de Ceridwen! Separe uma receita que goste, mas tem que ser algo que você pode preparar mexendo com uma colher, como uma massa de bolo (não use batedeira ou liquidificador, faça tudo à mão!), um manjar, uma boa sopa... Se não conhecer nenhuma receita, a internet está cheia delas! Com a receita em mãos, comece a preparar. Enquanto cozinha, especialmente enquanto mexe, imagine seus planos e sonhos que só existem na imaginação chegando ao mundo concreto. Enquanto você mexe, aquilo que era apenas um fantasma, ou aquela área da vida que andava meio "morta" ganha vida e contornos mais claros. Aproveite o prato que você preparou e celebre a vida!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Ágora - Doenças psicossomáticas

Bia, outro dia fui na minha médica porque estou com umas alergias na pele e ela me falou que tem muita chance de ser uma doença psicossomática. Não sei bem o que é isso, li na internet mas não entendi muito bem. Você pode explicar? É grave? Valeu!
Igor C. -  São Sebastião, SP


Olá, Igor!

As doenças psicossomáticas surgem sempre que não damos atenção a algum conteúdo da nossa psique (geralmente uma emoção). Nosso inconsciente precisa vir à tona e se mostrar para nós. Ele procura fazer isso, de início, das formas que causam menos desconforto para nós, por exemplo, sonhos, fantasias, intuições... Se não damos ouvidos a ele, o inconsciente insiste! Começam então os sonhos mais intensos e até assustadores, as "coincidências" que acontecem normalmente começam a ficar mais bizarras, e podem surgir as doenças psicossomáticas. Elas são a manifestação do nosso inconsciente através do corpo, de uma forma que não poderemos mais deixar de ouvir.

Mas como as doenças psicossomáticas se manifestam? Varia muito. É raro que surja uma doença muito grave logo de início, quase sempre é aquela dorzinha de cabeça, um pequeno acidente como uma queda sem grandes consequências ou um corte no dedo, um enjoo, pode acontecer uma alergia leve ou uma queda nas defesas do nosso corpo que nos faz ficar mais propensos a pegar uma gripe ou virose. Se mesmo assim não damos ouvidos ao inconsciente (compreendendo o simbolismo dos nossos sintomas), os sintomas podem se tornar mais sérios, causando doenças cada vez mais graves.

Algumas pessoas pensam "ah, é emocional?? Então é frescura!" Bem, não é por aí. Os sintomas são reais. Se o paciente fizer exames, os sintomas vão aparecer. A dor é real, a febre é real. Sua alergia é real, Igor. Mas o que motivou seu início foram as emoções. Algumas vezes é difícil demais lidar com certas situações na vida. Se não fazemos nada a respeito, se não buscamos ajuda, seja pelo motivo que for, adoecemos. Toda doença é uma forma que a nossa psique encontrou de lidar com algo difícil, fez isso da forma mais concreta possível, no corpo. Quando superamos a doença, saímos dela transformados, mesmo que seja apenas uma febrezinha ou um resfriado. Superamos o problema (ou parte dele) de uma forma simbólica.

Nossos sintomas são simbólicos. Eles contam uma história: a nossa história. Cada parte do corpo, cada órgão, glândula ou tecido tem a sua própria simbologia, os seus significados. Claro que eles não são estanques, a história clínica e a história de vida do paciente, assim como seu momento emocional, o contexto que está vivendo, planos e diversos outros fatores ajudam muito nessa compreensão. No seu caso, Igor, a pele é a fronteira do corpo, os limites entre a pessoa e o mundo externo. Alergias mostram alguma dificuldade nesse equilíbrio. Pode ser, por exemplo, por você se sentir invadido por alguém ou alguma situação, ou mesmo uma dificuldade geral de dizer "não" e colocar os seus limites.

Uma ótima forma de prevenir doenças psicossomáticas é ficar em dia com o inconsciente, através da reflexão e do autoconhecimento. Por exemplo, dando atenção aos seus sonhos, medos, desejos, suprindo suas necessidades... Olhar para si e ocupar-se de si, para que não seja preciso preocupar-se depois.

Aproveite as chances de transformação que seus sintomas te deram. Melhoras para você.
beijo,
Bia

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

10 sinais de que você vive as expectativas dos outros

"Quer você acredite que consiga fazer uma coisa ou não, você está certo." - Henry Ford (1863-1947), empreendedor norte-americano.

Este é um tema sério. Muitas pessoas vivem de acordo com aquilo que os outros esperam delas, ou então conforme aquilo que "todo mundo" diz que seria melhor ao invés de seguir a própria realização. Decidi escrever este artigo no formato de lista porque assim fica mais fácil de todos identificarem onde estão seus enganos e em quais comportamentos precisam mexer para levarem uma vida mais do próprio jeito. Vamos aos sinais!



1- Desvalorizar os próprios talentos
Isso acontece muito. Algumas pessoas têm muita dificuldade de olhar para os seus talentos (não importa quais são, o que importa é que todos temos talentos e algo em que nos destacamos). Ou melhor, a dificuldade está em olhar para os talentos e ver neles as jóias que são. A pessoa criativa que se acha desligada, por exemplo. Ou a pessoa cautelosa que se acha medrosa. Ou a pessoa super focada que se acha obsessiva. Tudo pode ser um talento ou um problema, depende de como olhamos. Por que não começar a olhar para nós com olhos construtivos? 

2- Estar no lugar errado
Como dizem, o peixe será péssimo em subir em árvores, mas um excelente nadador! Basta olhar para as próprias características na perspectiva favorável e se permitir ir para onde ela é valorizada. Muitas pessoas ficam presas a empregos, lugares, cursos e até relacionamentos que sabem que não as fazem sentir realizadas. Tentam se conformar, mas por quanto tempo? Nossas paixões sempre se mostram, por mais que a gente tente esconder. Que tal experimentar dar ouvidos a si mesmo?

3- Idealizar as outras pessoas
Não, seus pais não vão resolver todos os problemas da sua vida. Seus professores não sabem todas as coisas e o seu chefe não é o tempo todo a pessoa que sempre sabe o que fazer. Seu médico, ou psicólogo ou dentista podem cometer erros, por mais cuidadosos que sejam. Seu namorado(a) ou companheiro(a) pode ficar chateado algumas vezes. As pessoas não são perfeitas, elas todas têm faltas. Assim como você. Quando pensamos que somos os únicos a ter falhas, a cometer erros ou a não saber o que fazer, deixamos de acreditar em nós mesmos. O que fazer? Perceber que os outros não são perfeitos e buscar as nossas soluções sem precisar apostar todas as nossas fichas neles! Na forma como os psicólogos dizem, a ideia aqui é buscar autonomia.

4- Ter medo de tentar algo diferente
Existe um homem que admiro muito. O nome dele é Cristóvão Colombo, e digo o porquê da minha simpatia por ele. Contra todas as expectativas, ele lutou pelo que acredita. Provavelmente teve medo, mas confiou em si o suficiente para superar o medo de se lançar ao mar, e mesmo sem grandes verbas, mesmo sendo estrangeiro, mesmo com motins em suas caravelas e com todos os perigos do mar (os reais e os fantasiosos de sua época), ele chegou à América! Na nossa vida, as consequências dos nossos atos e escolhas podem ser desastrosas... mas dificilmente serão tão desastrosas quanto as consequências das escolhas de Colombo poderiam ter sido!

5- Não sonhar
Voltando ao exemplo de cima, a falta de confiança e o medo de tentar algo novo podem levar a algo mais sério: a pessoa que não tem sonhos para o futuro (sim, é mais comum do que se pode pensar). Ou, quando questionadas, se saem com algo vago como "meu sonho é dar certo na vida". Mas dar certo fazendo o que, criatura? No trabalho (qual)? Criando os filhos? No amor? A pessoa se perde nas respostas e fica claro que ela não sonha. O problema disso é que com o tempo, vem a desesperança e, com ela, a depressão. Nessas condições, é muito fácil embarcar nos sonhos dos outros sem nunca questionar se eles de alguma forma nos farão felizes. Muita gente é criada de forma a não valorizar o sonhar, mas hoje se sabe que isso é fundamental, pois os nossos sonhos são as bases da nossa realidade.

6- Não planejar
Tem gente que até sonha, mas não realiza. E isso não tem nada a ver, como alguns dizem, com acomodação ou preguiça. A pessoa até quer e pode até ser esforçada, mas por onde começar? Se o seu sonho é, por exemplo, fazer uma faculdade, não é passando os dias nas redes sociais que ele irá se realizar. Qual a sua estratégia? Em outras palavras, qual o caminho que você segue para chegar onde quer? Quando não temos planejamento, é muito fácil se apegar às expectativas das outras pessoas, porque parece que as nossas são inviáveis, e não são. Liste o que você já tem e o que já está em andamento para chegar ao objetivo. Depois, avalie com cuidado o que falta (recursos físicos, emocionais, tempo, características, documentos, trabalhos, áreas de estudo, contatos...) e estabeleça as prioridades. Assim se planeja, indo atrás de uma pequena meta por vez que, em conjunto levarão à meta maior. 

7- Esquecer o que já fez e deu certo
Sempre que fizer algo e a coisa der certo, guarde a lembrança com carinho. Pode ser aquele grande projeto profissional ou algo muito mais simples, como aprender a andar de bicicleta ou conseguir aquelas férias. Essas são as nossas referências de sucesso, e são elas que nos sustentam perante os desafios da vida. Elas aumentam a nossa autoconfiança e nos permitem acreditar que podemos ir mais longe, independente daquilo que os outros esperam...

8- Tentar ser eficiente demais
Quando eu era criança, costumava ajudar meus pais a carregar aquelas compras de mês para casa. Eu me sentia especial de pensar que podia aguentar tantas coisas, me sentia espertinha de carregar muitas sacolas e caixas e assim fazer poucas viagens de volta para buscar mais compras. Mesmo que me dissessem para ter cuidado ou levar um pouco por vez, eu não ouvia, gostava de me sentir indo além daquilo que eles esperavam de mim. Bom, certa vez, eu tinha uns 8 anos, carregava muitas sacolas e, por uma fatalidade da vida, elas arrebentaram no meio da sala. Uma garrafa de refrigerante estourou no chão, os ovos se espatifaram no tapete, enfim, acho que todos imaginaram a bagunça. Nesse dia, minha mãe me disse uma frase que gosto de lembrar até hoje: "muita eficiência gera ineficiência". Na hora eu nem imaginava o que ela queria dizer, mas com o tempo vi a sabedoria dessas palavras. Não carregue mais sacolas do que você pode levar com segurança. Não assuma mais compromissos e responsabilidades do que pode cumprir tentando corresponder ao que o outro espera. Vale mais dizer um "não" ou dar ao outro um prazo maior do que tentar ser tão eficiente e acabar tropeçando nos próprios pés!

9- Sentimento de ser vítima
Com certeza você já reparou que algumas pessoas tem o hábito de se fazerem de vítima. Esta atitude, quando sem motivos, faz a própria pessoa a se convencer de que é incapaz e nunca chegará a lugar nenhum. Aliás, apenas o costume de se fazer de vítima sem motivos já demonstra que o foco da pessoa está naquilo que os outros esperam dela (e que ela não acha justo), e não em si mesma.

10- Falta de gratidão
Como ser grato a algo ou a alguma situação que nunca quisemos? É muito difícil. Quando vivemos as expectativas de outras pessoas, a falta de gratidão é um ponto marcante. Não nos colocamos como heróis da nossa história, mas como coadjuvante da história do outro! Não quero dizer que a pessoa seja uma ingrata, ela apenas não vive conforme aquilo que valoriza e acredita. A liberdade está em seguir o próprio coração, especialmente em poder olhar para si, para o mundo e para a vida com um olhar que faça sentido para nós. E para isso, nosso foco precisa ser o nosso próprio sonho, nós mesmos precisamos ocupar o lugar de destaque da nossa história. Aí a gratidão é algo natural e a paz interior se mantém, pois aquilo que fazemos da nossa vida está em nossas mãos! Mesmo que nem sempre as coisas saiam como esperamos, sabemos que a escolha foi nossa e podemos ser gratos por termos tido a oportunidade de fazê-la.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Mythos - Loki: as ambiguidades que formam o todo

Trabalhar com Loki foi uma sugestão da amiga e leitora Fran Kitsune. Na verdade, ela comentou que ouviu boatos sobre a sexualidade de Loki. Seria ele bissexual, como a personagem dos quadrinhos? Resolvemos averiguar essa história! No entanto, apesar de discutir a orientação sexual, preferi manter este texto com o foco nas ambiguidades que se complementam e formam um todo, pois o tema da orientação sexual e aceitação já foi discutido na coluna Ágora, quando conversamos com o JP (Homossexualidade e aceitação da família, clique para ler!). Hoje, portanto, apesar do tema ser abordado, nosso foco é mais amplo, já que Loki é um deus complexo e que nos permite pensar num contexto mais abrangente.



Quem é Loki? Este é um deus da mitologia nórdica, dos povos que viviam na Escandinávia e região. Ele não é um dos filhos de Odin (o líder dos deuses) como muitos acreditam e a mídia insiste em mostrar. Na verdade, Loki é filho de dois gigantes de gelo e, mais tarde, torna-se irmão de Odin através de um pacto de sangue. Loki também não é deus do fogo como alguns dizem, (na língua desses povos, fogo se diz Loge, mesmo nome do deus relacionado a este elemento, provavelmente a confusão se dê pela semelhança entre os nomes). Ao contrário, por sua maleabilidade, Loki é associado às águas. É o deus das trapaças, das travessuras e também tinha grandes habilidades mágicas. Ele podia transformar sua aparência conforme a própria vontade. Assim, existem diversas histórias na mitologia nórdica em que Loki se transforma em seres de aparências diversas ou em animais de todo tipo, inclusive em fêmeas. Certa vez, transformou-se numa égua branca, chegando a engravidar e a parir um filho, o cavalo de 8 patas que se tornou a montaria de Odin! Entrando no âmbito da orientação sexual, é preciso dizer que entre os antigos povos nórdicos, as relações homossexuais eram muito mal vistas, e não há referências a ela na mitologia desses povos que tenham chegado aos nossos dias. Penso que a ideia de bissexualidade possa ter sido uma jogada de marketing (bem pensada, por sinal), provavelmente inspirada pelo poder de transformar-se deste deus, não apenas no âmbito da aparência, mas também de papéis, funções e habilidades fisiológicas. Entre os nórdicos, não há (ou não chegaram aos dias de hoje) histórias sobre relações homossexuais entre deuses. O protótipo de homem era o guerreiro forte e "machão". Homens com características afeminadas ou sensíveis eram vistos como incapazes, apesar de que havia cultos em que os sacerdotes eram, obrigatoriamente homossexuais ou afeminados, como o culto ao deus Freyr, da fertilidade. Também Odin era muitas vezes mostrado como um praticante de seid, um tipo de magia reservado apenas às mulheres, e que envolvia ritos sexuais.

Mas a polêmica que envolve Loki vai além da orientação sexual. Ele era dado a pregar peças e a trapacear e, embora seus atos causassem prejuízos aos outros deuses no início, geralmente no fim das histórias eles acabavam sendo beneficiados pelas atitudes de Loki. Lembre-se, este é um deus ambíguo como o fogo com o qual tanto o confundem. O fogo tanto pode aquecer, iluminar, ajudar a cozinhar alimentos e nos proteger, como também pode fugir ao nosso controle e causar acidentes graves e desastrosos. Como dito, Loki é maleável como a água, que se adapta e toma a forma de qualquer recipiente ou reservatório onde seja armazenada. Assim, também, é Loki. Muitas vezes ele é descrito como vilão, mas é alguém de mente astuta e que usa muito bem a estratégia. Outras vezes, ele é uma entidade chave para o bom desfecho dos mitos, é ele quem recupera o martelo de Thor, e o próprio Odin já chegou a dizer que sempre que bebesse, seria na companhia de Loki, mostrando com essa atitude o papel importante deste deus. É fundamental discutir essa questão de bem e mal. Este é um conceito mais típico de povos cristãos. Quando o cristianismo chegou à Escandinávia, Loki foi comparado ao demônio cristão, tal como aconteceu com outros deuses e entidades de outras culturas (como o Exu da cultura afro ou o Anhangá dos povos indígenas do Brasil). Essa associação pode ter sido feita não apenas pela personalidade ambígua de Loki, mas também porque este deus não possuía um sistema de culto e, diziam os povos nórdicos, era melhor que não fosse invocado, pois Loki era extremamente fiel aos seus próprios desejos e necessidades, mais do que seria devotado aos humanos ou a outras motivações mais altruístas. Apesar disso, Loki era uma entidade muito presentes nos mitos e nas histórias populares com função educativa, às vezes dando exemplo do que fazer ou não fazer, outras vezes apenas divertindo as pessoas com seus embustes! Mas voltemos à questão do bem e do mal. Entre povos mais antigos, geralmente tudo e todos (até os deuses!) podiam ser ao mesmo tempo bons e maus. Não por serem deuses arcaicos ou imperfeitos como muitas pessoas dão a entender, mas porque esses opostos (os mesmos que nos formam), quando integrados de forma harmoniosa, compõem um todo pleno de sentido. Integrá-los na nossa própria psique e na nossa vida é o que nos permite aumentar nosso equilíbrio e promover transformações em nós mesmos. É na integração harmoniosa dos opostos que mora a sabedoria.


Questões para reflexão:

1- Faça uma lista das suas principais características. Não se preocupe em saber se são boas ou ruins, pois como conversamos, somos seres ambíguos como Loki. Tente escrever pelo menos 10 características da sua personalidade ou jeito de ser. Agora, ao lado de cada uma delas, escreva o que você consideraria a característica oposta a cada uma delas. Por exemplo, posso escrever que sou calma e colocar como oposto ansiosa ou nervosa, ou o que quer que eu considere o oposto disso. Feito isso, você terá 20 características (suas 10 e os opostos). As que você não identifica em si, provavelmente estão na sua sombra, adormecidas nas profundezas da psique e esperando o momento de despertar. Pense em si com as características que não reconhece ou que te desagradam. Provavelmente você se recordará de momentos em que elas se mostraram, ou até de pessoas com essa característica que insistem em "aparecer" na sua vida, mostrando que somos, todos nós, jogos de opostos-complementares.

2- Um exercício bem parecido com o anterior. Pense em algumas pessoas muito diferentes de você (quanto à personalidade, "jeito", comportamento...). Por exemplo, considero meu irmão uma pessoa competitiva (no sentido equilibrado e maduro da palavra, alguém que busca sempre se superar e fazer tudo "melhor" do que costuma ver por aí). Acho essa característica bem diferente das que tenho, pois sou muito calma e adepta da ideia que o mais importante é a gente se sentir bem consigo mesmo e com o que faz, independente de "melhor" ou "pior" que os outros. Qual forma de ser é a melhor? Nenhuma! São apenas formas diferentes/opostas de funcionar! E como todo oposto, existe neste par uma complementariedade, o que significa que juntos podemos unir essas características e isso provavelmente será transformador e trará crescimento para ambos. No popular, um aprende com o outro. A ideia aqui é essa, pensar nas pessoas com características diferentes e complementares às nossas. Com algumas delas identificadas, o passo seguinte é refletir no tipo de relacionamento que temos com essas pessoas ou com esses "tipos" de pessoas. É tenso e tumultuado? Ou apesar de muito diferentes, as coisas entre vocês fluem bem e existe o sentimento de que se complementam? Quando nossa interação com essas pessoas é permeada pela abertura e aceitação, ambos crescem. Já quando a interação é mais difícil, isso demonstra certa resistência por parte dos dois em integrar esse par de opostos, enterrando-o cada vez mais fundo na psique. Quando isso acontece, quando nos recusamos a ver o oposto de forma objetiva (em nós mesmos, nos outros, nos sonhos, etc.), a sombra se mostra de forma destrutiva, fazendo com que surjam os sintomas, de forma bem simbólica - como a típica pessoa com dores ou um corpo extremamente rígido que não aceita que precisa se tornar alguém um pouco mais maleável e flexível, se "movimentar" melhor pela vida.

3- Transforme-se como Loki! Experimente ser de outro jeito. Escolha uma dessas características que você não reconhece em si e tente pensar em si mesmo como se essa fosse sua maior característica. Imagine como você e sua vida seriam com aquela característica em destaque. Faça isso com algumas características, até que possa sentir que somos ambíguos como Loki, somos uma massa maleável e pronta para nos tornar aquilo que tivermos vontade de fazer de nós mesmos!