sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Ágora - Medo de ficar solteira

Oi Bia, por favor me deixe como anônima. Eu queria mandar uma pergunta pro seu blog, sobre relacionamento amoroso. Tenho 37 anos e ainda não me casei. Já tive namoros longos, terminei meu último namoro faz 2 anos já e desde então nunca mais arrumei homem nenhum. Eu me sinto envelhecer e diminuindo a cada dia as minhas chances de ser feliz no amor. Sou bonita e bem sucedida, não sou exigente demais, até conheço alguns homens com quem poderia dar certo mas não consigo me interessar por eles e muito menos imaginar o resto da vida ao lado deles. Minha família e meus amigos me cobram muito nesse sentido e apesar de eu ter uma carreira brilhante eu me sinto fracassada por não ter me casado. Queria uma orientação. Obrigada.
Anônima


Bom dia, Anônima.

É interessante perceber o quanto as pessoas projetam a felicidade em relacionamentos. Lendo seu email, a primeira coisa que me perguntei foi: será que ela realmente quer um companheiro ou quer apenas mostrar para os familiares e amigos que foi "capaz" de se casar? Acredito que este é um ponto interessante de começar a pensar. Muitas pessoas hoje em dia acreditam que quem está solteiro não pode ser feliz, e isso é uma grande mentira. Porque a felicidade não é o resultado direto da vida que temos, e sim um sentimento. E sendo um sentimento, ela depende apenas de nós mesmos.

Outro ponto que me chama a atenção é uma certa ansiedade. Já ouviu dizer que em momentos especiais a ansiedade só atrapalha? Na busca por um relacionamento não é diferente. Penso que o primeiro passo é respirar e ter calma. Qual o valor de "tentar" um relacionamento sério e estável com qualquer pessoa que parece legal, sem sentir nada, sem grande envolvimento? As chances de isso dar certo, a princípio, não são muito grandes...

O amor não é um sentimento que vem pronto. É diferente da paixão, aquele encantamento. Eu diria até que a paixão é uma fase de algo que pode virar amor, um tempo para o casal se envolver e construir, juntos, na convivência, o amor. Por isso, acho muito difícil encontrar amor por aí, em qualquer pessoa que parece legal. Ser feliz no amor (ou em qualquer outra área da vida) exige empenho e envolvimento, exige que as duas pessoas queiram construir um relacionamento harmonioso. Um relacionamento não dá certo por sorte ou por um simples acaso. O relacionamento dá certo quando o casal se permite estar envolvido, sem jogos e sem medo, e aí fazem dar certo, fazem o amor crescer e o relacionamento se desenvolver. Por isso, não tenha pressa. O amor é uma coisa humana, sempre podemos encontrá-lo, em qualquer idade ou situação que se esteja vivendo, desde que estejamos abertos a vivê-lo em todas as suas possibilidades.

beijo,
Bia


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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O momento da refeição

Gosto de sugerir às famílias e casais com questões ligadas ao relacionamento, à falta de diálogo e com queixas de brigas e discussões frequentes, uma medida simples: que façam as refeições juntos. Se não for possível todos os dias, ao menos um almoço de domingo por exemplo. Não precisa ser nada muito elaborado, apenas a comida de sempre, mas com todos sentados juntos e desfrutando de um momento tranquilo e agradável. Sem TV, celulares ou outras distrações. Apenas a refeição e as pessoas queridas. Separei hoje alguns pontos que costumo sugerir nesta atividade.


Nas mais diversas culturas, o momento da refeição é sagrado. É um momento de cuidado consigo mesmo, de respeito para com o alimento que nos manterá vivos e fortes, de compartilhamento (palavra tão na moda nessa época de redes sociais) com os queridos. É um momento que, quando bem aproveitado, nos ajuda a sentir que somos parte daquele grupo, nos identificamos com aquelas pessoas e permitimos que elas também se identifiquem conosco. E assim se cria um tipo de interação muito mais plena de bons afetos, muito mais próxima e íntima.

Claro, para a estratégia dar resultados, alguns pontos precisam ser respeitados. 
-Não basta fazer isso uma só vez e esperar que a família fique harmoniosa ou que a interação entre o casal mude, é preciso que se crie um hábito de ter refeições juntos até que isso simplesmente se torne o "natural". 
- TV, telefones celulares e outros equipamentos ficam de lado neste momento. 
- Se gostam, podem colocar uma música tranquila e em volume um pouco mais baixo, para permitir que as pessoas conversem e interajam. 
- Aliás, interajam! Com educação, sem provocações, em tom de voz normal. A hora da refeição é um momento de paz! Aproveitem para conhecer melhor uns aos outros, contar como foi o dia, algo que gostaria de fazer, etc. Não é o momento para falar de problemas e questões que nos deixam tristes ou chateados. 
- Arrumem um cantinho bem tranquilo e gostoso para a refeição que vão compartilhar. Não precisa ser nada caro, basta um cantinho limpo, tranquilo e aconchegante de casa. Se o tempo estiver agradável, podem gostar de fazer isso lá fora, ou mesmo de fazer um piquenique num parque da sua cidade.
- Deixe que todos ajudem e se envolvam. As pessoas se sentem fazendo parte quando também são bem-vindas a contribuir com algo dentro de suas possibilidades (preparar um prato, arrumar a mesa, colher uma flor para enfeitar...).

Essa interação íntima, facilitada na comensalidade (ou seja, quando comemos juntos), é chamada de "mundo da vida" pelo filósofo Habermas. É no mundo da vida que podemos nos permitir ser quem somos e explorar todas as nossas possibilidades, sem medos ou inseguranças, pois as outras pessoas gostam de nós e nos respeitam, nos dando (e recebendo de nós) o suporte necessário para que exista crescimento.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Mythos - Medusa: o olhar que petrifica

A Medusa provavelmente é uma das criaturas mais conhecidas da mitologia grega. Ela é uma górgona, isto é, uma mulher com cabelos de serpentes, que fazia com que qualquer pessoa que olhasse diretamente para ela se transformasse em pedra. O interessante é que ela era a única górgona que era mortal e capaz de ser vista pelos seres humanos.

Mas nem sempre foi assim. Inicialmente, a Medusa era uma linda jovem, com cabelos muito brilhantes. Era tão linda que chamou a atenção de Poseidon, deus dos mares. Ele a seduziu e a levou para o templo de Atena (a deusa virgem da sabedoria e do conhecimento). Por sua vez, Atena ficou escandalizada com a ousadia do casal! Como puderam profanar o templo de uma deusa virgem daquela maneira? Furiosa, Atena vingou-se da jovem transformando-a em górgona, com cabelos de serpente, presas de javali e mãos de bronze. Nenhum outro homem jamais iria olhar para ela (mesmo porque, se o fizesse, viraria pedra!).

A Medusa foi banida para os confins do mundo ocidental. Lá, Perseu a encontrou e a decapitou. Quando a cabeça dela foi arrancada, saíram de lá o gigante Crisaor ("lâmina de fogo") e o cavalo alado Pégaso, com um grande estrondo. Alguns estudiosos de mitos acreditam que, por essa simbologia, inicialmente a Medusa pode ter sido a personificação das tempestades. Então, Atena, que guiava os golpes de Perseu, recolheu o sangue da Medusa em dois frascos e os deu ao médico Esculápio, explicando que o sangue recolhido do lado direito geraria a vida, e o do lado esquerdo era um veneno mortal. Quanto à cabeça da Medusa, Atena a tomou para si e com ela adornou seu escudo.


Questões para reflexão:

1- Percebemos dois momentos da Medusa: a bela jovem e o monstro terrível. Perceba que tudo tem uma dualidade. E, mais do que isso, perceba que nas dualidades, nos jogos de opostos, o "bom e mau" nem sempre é tão fixo e certo. No caso do mito, a deusa Atena percebeu a bela jovem como mais perigosa (pois ameaçava a integridade de seu templo - em linguagem simbólica, de seu lugar mais íntimo, da parte mais sagrada de si mesma). Qual seu lado mais perigoso (para si mesmo)? Quais características suas podem ser de grande ajuda ou, vendo por outro lado, arriscam colocar tudo a perder?

2- O sangue do lado direito da Medusa gera a vida e o do lado esquerdo gera a morte. Pensando na comparação da Medusa às tempestades, vemos que elas também são assim: ao mesmo tempo que são perigosas, gerando enchentes, virando embarcações e causando destruição e mortes, as tempestades têm um lado bom, pois fertilizam o solo. Somos uma dança complexa entre vida e morte, continuidade e destruição, avanços e retrocessos. Como seu lado mais "tempestuoso" pode te ajudar? O que ele te ensina?

3- A cabeça arrancada da Medusa continua a ter o poder de transformar aqueles que olham para ela em pedra. Isso conta sobre Atena (que adotou a cabeça para seu escudo, e que transformou a jovem em górgona), sobre seu próprio olhar. Um olhar que petrifica. Um olhar austero, que faz com que a força "bruta" se curve a ela, pois força sem inteligência não é de grande valia... Qual a sua maior estratégia? O que em você (características, comportamentos, conhecimentos) deixa outras pessoas impressionadas, "petrificadas"?

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Ágora - Medo de mudar

Oi Bia eu leio sempre teu blog. Queria fazer uma pergunta sobre o medo de mudar. Na minha vida eu olho e vejo diversas coisas que estão muito diferentes do que eu gostaria. Sei bem que não é culpa dos outros, são minhas escolhas que levaram a ser tudo desse jeito e posso mudar. Mas nem sei por onde começar, acho que tenho medo de fazer essas mudanças. Será que isso é normal? beijos
Tainá


Oi, Tainá!

A situação que você contou é muito comum e não tem grandes motivos para preocupações. Ter medo (seja do que for) é uma reação normal da nossa psique, é uma forma de proteção, capaz de nos colocar em alerta para que a gente fuja ou enfrente algo percebido como uma ameaça. Mas, conforme o ser humano se desenvolveu, aquilo que é visto como ameaçador também se tornou cada vez mais refinado. Deixou de ser apenas algo que ameace diretamente a nossa vida para se expandir para aquelas situações e elementos que, imaginamos, pode ameaçar nossa existência simbólica. 

Muitas pessoas são resistentes às mudanças (e, aqui, o medo pode ser encarado como um tipo de resistência), afirmando que "se eu mudar vou deixar de ser eu mesmo!" Isso mostra com muita clareza o medo de se desestruturar, de se perder de si mesmo ou, como eu disse antes, essa é uma percepção da mudança como ameaça simbólica à nossa existência.

O que fazer? Trazer o desconhecido (as mudanças - aquilo que não sabemos ao certo como será e que, por isso, nos assusta) para o conhecido, para o presente. Uma pessoa só muda efetivamente quando lançar-se para o desconhecido parece menos pior do que manter-se como se está. Assim, é muito aconselhável passar a dar atenção ao que realmente gera insatisfação, o que a gente gostaria de mudar, por que realmente quer isso, como esses elementos ou situações nos fazem sentir. Depois, idealize. Sonhe. Como seria o jeito que te deixaria satisfeita? Não tenha medo de sonhar e planejar, claro. Talvez dê mais confiança começar pelas mudanças menores. Muita gente prefere começar "soltando" e fechando aquilo que já não faz sentido para, então poder abraçar algo novo. Caso se sinta confortável, crie um rito de passagem para terminar a fase antiga e virar a página. Isso pode ser algo muito simples, como fazer algo especial com pessoas queridas ou mesmo apenas com você, conforme sentir que seja pertinente. De preferência, algo que tenha algum tipo de relação com a situação.

Tainá, queria deixar claro que essas são sugestões gerais, sem conhecer ao certo as situações que você está vivenciando. Se estiver muito complicado, se não conseguir pensar nisso tudo, olhar para isso tudo sozinha, pode ser interessante marcar uma consulta com um profissional de psicologia, que poderá auxiliar nesse processo.

beijos,
Bia


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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Mythos - Iara: o fluxo dos sentimentos opostos

O mito da Iara é brasileiro, de origem indígena da região da Amazônia. Iara é uma sereia, uma linda índia de pele morena, cabelos longos e negros e os olhos brilhantes, com cauda de peixe. Ela canta de forma tão bela que os homens, fascinados, se jogam no rio e acabam afogados.


Mas nem sempre foi assim. Iara era uma linda índia, filha do pajé de sua tribo. Ela era uma guerreira, e seu pai nunca lhe poupava elogios. Seus irmãos tinham muita inveja disso. Por isso, certa noite, resolveram matá-la enquanto dormia. No entanto, eles se esqueceram que sendo uma guerreira, Iara tinha o sono muito leve, e estava sempre atenta ao menor ruído ou movimento suspeito. Para se defender, ela acabou matando seus irmãos. Arrependida e com medo da reação do pai, Iara fugiu. Mas ele a perseguiu, procurou-a sem descanso, até que a encontrou. Como punição por matar os irmãos, o pajé jogou Iara no ponto em que dois rios se encontram, para que se afogasse com a violência das águas. Os peixes tiveram compaixão da linda moça e a transformaram em sereia.


Questões para reflexão:

1- Iara era uma ótima guerreira, o que deixava seu pai orgulhoso. Seus irmãos tinham inveja e ela acabou matando-os para se defender do ataque desleal. No entanto, depois se arrependeu do que fez e teve medo das consequências, da reação do pai, fugindo para a mata. Você percebe sentimentos de inveja nas pessoas com quem convive quando se destaca em algo? Como lida com isso? 

2- O remorso é um sentimento poderoso. Fez Iara largar tudo (a tribo, seu posto como ótima guerreira e as pessoas queridas - que poderiam compreender que seu ato foi feito em defesa própria) e fugir para a mata, simbolicamente, para dentro de si mesma. Quando nos arrependemos ou nos sentimos culpados, fugimos para dentro de nós mesmos quando remoemos o que aconteceu e revivemos aqueles afetos, reavivamos a situação fazendo com que ela nunca termine. Em quais momentos você já se sentiu culpado ou arrependido? Olhando hoje em dia, havia motivo real para esse sentimento? Como se libertou da culpa?

3- De forma geral, quase sempre as águas podem ser interpretadas como as emoções nos mitos e sonhos. Quando dois rios se encontram, isto é, quando duas emoções diversas fazem morada no nosso coração ao mesmo tempo, podemos nos sentir "afogados", sufocados pelo fluxo das águas/emoções. Uma boa saída organizar esses conteúdos, como fez Iara, transformando-se e adaptando-se a uma nova realidade, para assim se mover com eficácia em meio à correnteza emocional. Você já teve sentimentos opostos sobre a mesma coisa? Como tende a lidar com isso?

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Ágora - Aposentadoria e crise emocional

Bom dia Bia. Queria escrever pro seu blog. Meu problema é que o meu marido se aposentou e agora fica só em casa largado no sofá. Ele não é tão velho e está muito bem de saúde graças a Deus, mas vejo que ficar assim está deixando ele com o humor cada vez pior, estamos discutindo mais e caindo numa rotina que não está fazendo bem para a nossa saude, para a família e nem para o nosso casamento, até nosso netinho que tem 7 anos percebe. Não sei o que fazer. Parabéns pelas coisas que você escreve, que Deus sempre te abençoe. 
Cida


Bom dia, Cida!

A situação que você contou é bastante comum, especialmente pessoas que sempre trabalharam fora, como imagino ser o caso do seu marido, acabam estranhando a fase de aposentadoria. É como se toda aquela rotina, aquele dia a dia que a pessoa viveu a vida toda, de repente parasse de existir. E aí a pessoa se sente sem lugar, sem função... sem importância. Especialmente, isso acontece com pessoas que estavam acostumadas a levar o trabalho como a única (ou a principal) tarefa de suas vidas. Já ouvi muito de pessoas nessas condições que se sentem "inúteis" e "sem vida". Portanto, a saída é perceber que a vida da gente é muito mais que o trabalho e a profissão. 

Cida, percebo que é muito importante que você e o seu marido conversem sobre isso. Muitas vezes, a pessoa sequer tem clareza da situação. É interessante pensar no sentido que a aposentadoria tem na vida de cada um. Enquanto algumas pessoas entram em crise, outras vêem esse momento como a grande oportunidade de fazer coisas que sempre quiseram mas nunca tiveram tempo. Aproveitar a vida ao lado de pessoas queridas, se dedicar a uma atividade que goste, voltar a estudar um tema de interesse sem as pressões do mundo profissional, ou até mesmo se dedicar a uma nova área de trabalho. 

Muito provavelmente, seu marido se sente perdido com essas mudanças no dia a dia, mas na certa irá se entusiasmar com um novo objetivo. Algumas possibilidades para começar a mudar essa situação são os grupos voltados para a terceira idade que são oferecidos gratuitamente em ONGs, universidades e associações comunitárias, em que são propostas atividades artísticas, esportes, passeios culturais e mesmo estudos (como cursos de computação, de línguas, sobre atualidades, entre tantos temas), conforme as preferências de cada um. Também é uma boa ideia que você e seu marido se acostumem a fazer algumas atividades em parceria, mesmo que uma simples caminhada, isso aproxima o casal e fortalece o vínculo afetivo. Acima de tudo, é fundamental lembrar que a vida não termina com o encerramento da vida profissional; o valor de uma pessoa não está apenas em suas atividades de trabalho, mas na pessoa como um todo.

beijos,
Bia

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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Mythos - A noiva espírito: vida, morte e a nossa meta

O mito de hoje é do povo algonquino, um povo nativo que vivia em tribos no nordeste da América do Norte. No mito, a questão da morte de uma pessoa querida e tentativas de revertê-la são usadas como metáforas para discutir a questão do irreversível e inevitável, coisas da vida que simplesmente não estão nas nossas mãos e não podemos controlar. Podemos com isso pensar ainda na questão da existência e da maior meta que cada pessoa tem, do sentido que cada um percebe em sua própria vida

Imagem: The ghost bride, de Atropo Tesiphone, DeviantArt.
Havia, muito temo atrás, um guerreiro muito leal e corajoso. Ele lutou em muitas batalhas, trazendo honra e orgulho para seu povo. Esse guerreiro estava noivo da moça mais linda da tribo. Ela era muito doce e amorosa, e eles tinham planos de casar em breve e formar uma linda família. Acontece que, por uma infelicidade da vida, a noiva morreu na véspera do casamento. A morte nem ao menos pensou que o casal se amava, que a moça era jovem e uma boa pessoa e que ainda tinha muito para viver. Também não se importou com o fato do guerreiro ser um homem bom e leal, que não merecia tamanha dor. Porque a morte é uma daquelas coisas que chega para todos, sem perguntar se pode ou como seria. Ela apenas acontece e nos deixa perdidos, pensando naquela vida que poderia ter sido, mas não foi.

Como era de se imaginar, o guerreiro ficou muito abalado com a morte da noiva. Enquanto os outros rapazes caçavam, ele passava os dias sem comer e nem dormir, ao lado do túmulo da noiva, contemplando o nada. Até que um dia escutou por acaso uma conversa dos mais velhos da tribo, que comentavam sobre o caminho para o mundo dos espíritos. Sem pensar duas vezes, partiu na mesma hora, decidido a trazer a noiva de volta!

O guerreiro caminhou sem parar por dois dias, e quando olhava ao seu redor, não havia nenhum indício de estar se aproximando do mundo dos mortos. Até que ele avistou uma cabana e parou por ali. Uma noite bem dormida não faria mal... O homem que vivia lá era muito sábio, e contou ao guerreiro que viu a noiva passar por ali há pouco tempo, mas avisou que, para segui-la, teria de deixar o corpo físico para trás e ir até ela apenas com seu espírito. O guerreiro seguiu as instruções do sábio e assim foi feito. Ele viu a esposa pouco antes de chegar ao lago em que ficava a ilha dos espíritos, mas lembrou-se que não se deve falar com os mortos antes de chegarem ao seu destino. Ele entrou numa canoa e seguiu a esposa. Quase no meio do caminho o céu se fechou e uma grande tempestade caiu, arrastando para longe alguns mortos que não eram dignos das bênçãos que aguardavam na ilha. O guerreiro e a esposa, que eram pessoas justas, continuaram seu caminho e chegaram em segurança à ilha dos espíritos. 

Na ilha era sempre primavera, o tempo era bom e o sol brilhava sempre. Flores de todas as cores desabrochavam o tempo todo, e árvores com frutos doces e maduros estavam por toda parte. O guerreiro encontrou sua esposa na praia, deram as mãos e caminharam. Mas pouco depois, uma voz muito boa, do Mestre da Vida, disse ao casal que o guerreiro precisava retornar, pois ainda não era sua hora. Ele obedeceu e se tornou um grande chefe da sua tribo, vivendo o resto dos seus dias em paz por saber que reencontraria sua amada.


Questões para reflexão:

1- O primeiro ponto para refletir é que cada um só pode viver a sua própria história. Podemos caminhar ao lado de alguém, dar forças a essa pessoa, mas nunca agir e sentir no lugar dela. Isso fica claro no mito quando, ao atravessar o lago, cada espírito entra e conduz sua própria canoa, cada um só pode sofrer as consequências (boas ou ruins) daquilo que fez, cada um só pode responder por si, por mais que algumas vezes gostaríamos de responder por quem amamos para lhe atenuar o sofrimento. Como você se responsabiliza (isto é, como responde) por si? Existe a tendência a responder pelos outros, ou a esperar que outras pessoas escolham e ajam por você? Se sim, em quais momentos?

2- A morte e o Mestre da Vida são duas personagens muito interessantes. Apesar de opostas, vida e morte são faces da mesma moeda: a existência. Ninguém pergunta se queremos morrer, e nem se queríamos viver... Apenas existimos e isso basta para que passemos a vida procurando um sentido para isso, mesmo que a gente sequer perceba esse movimento. Quando pergunto sobre o que dá sentido à nossa vida, as pessoas me dão muitas respostas. A família, as pessoas queridas, as práticas religiosas, os momentos de alegria, o trabalho e a sensação de dever cumprido, ajudar a melhorar o mundo, e por aí vai... Mas, quando pergunto o que vale a nossa morte, a coisa muda! Pare por alguns minutos e pense: o que dá sentido à sua existência a ponto de valer a sua vida/morte? O que vale seu sacrifício (mesmo que em sentido simbólico)? Quase sempre, é aí que mora a nossa meta de vida.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Ágora - Seguir de volta nas redes sociais: reconhecimento, afeto ou conveniência?

Nas redes sociais, existe o fenômeno SDV (sigo de volta), pessoas que passam horas conectadas apenas atrás de 'seguidores', existem até sites que vendem 'seguidores'. Pergunto: quais os elementos psicológicos envolvidos nesse comportamento, que na minha opinião é bizarro?
Antecipadamente, obrigado
Érico


Olá, Érico!

As redes sociais são um fenômeno muito curioso dos dias de hoje, pois mudaram por completo a maneira como interagimos e nos relacionamos, e mesmo a relação do ser humano com a tecnologia. Tudo se tornou um pouco mais público, e as pessoas quase sempre se revezam entre a exposição excessiva de momentos que até poucos anos atrás eram íntimos, ou a preocupação quase doentia em não se expor e não mostrar detalhes da vida que não fariam diferença alguma se aparecessem ou não (e que, geralmente, quase ninguém se interessaria em saber). Ao mesmo tempo que a vida fica mais pública, fica mais imediata também. Nem precisamos voltar tanto tempo assim, para antes dessas tecnologias, basta pensar na época em que os emails eram novidade. Será que Fulano olha os emails dele todos os dias? Será que tem um email só para si ou devo escrever no da família? Será que vai me responder logo? Hoje, com as redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas, isso é impensável. E esse imediatismo, muitas vezes, em lugar de aproximar as pessoas, se transforma numa nova e inesgotável fonte de estresse. Mas vamos ao tema!

Percebo nessa questão de seguir de volta, dois traços psicológicos que se destacam. Um deles é o narcisismo, um egocentrismo muito exagerado. O perfil na rede social passa a ser como uma revista de fofocas que fala apenas da pessoa em questão! Se acordou ou foi dormir, o que comeu, por onde andou, com quem esteve... A pessoa narcisista, apesar de parecer muito segura de si, esconde uma grande insegurança, por isso precisa ter sua personalidade, suas escolhas e seu comportamento legitimados, validados por outras pessoas o tempo todo. E no mundo de redes sociais, essa validação ocorre por meio de "likes" e "curtidas", um grande número de seguidores e compartilhamentos, que são sentidos por essas pessoas como carinho e afeto. 

Outro fator psicológico que percebo nessa questão, e que pode ou não estar associado ao narcisismo, é a baixa tolerância à frustração. Quase ninguém aprende a conviver com as frustrações e fracassos que fazem parte da vida de todos, não sabem ouvir "não". E aí, quando chegamos ao plano dos afetos (e curtidas, compartilhamentos ou seguidores são, nesse contexto, algo que demonstra algum tipo de afeto, ainda que um simples legal, eu também penso assim, amigo!), ocorre que não basta a pessoa demonstrar seu afeto, ela precisa receber do outro o mesmo carinho, na mesma intensidade, senão ela estaria "fazendo papel de trouxa"... e a vida não é bem por aí. Exigindo que siga de volta ou que curta fotos e posts em retribuição, é como se essas pessoas sentissem que podem controlar os afetos do outro para não se frustrarem. Eu te sigo se você seguir de volta. Eu curto sua foto e te digo que está lindo se você também curtir a minha e dizer que estou uma diva. Eu te apoio enquanto você me apoiar. Eu te amo, mas apenas se você me amar. A vida não é assim!

A vida tem altos e baixos. Tem momentos em que somos as estrelas e momentos em que somos platéia, e ainda tem momentos em que estamos nos bastidores arrumando a bagunça, remendando o figurino e preparando algo novo. A vida não é uma festa o tempo inteiro. Claro que é muito bom quando sentimentos (mesmo que uma simples e pós-moderna admiração na rede social) são recíprocos. Mas quando não são, não há motivos para "deletar" aquilo que sentimos ou pensamos apenas porque o outro não pensa ou sente igual. No meu ponto de vista, falta a essas pessoas maníacas por seguidores, uma boa dose de confiança em si e naquilo que pensam/sentem, mesmo porque, se eu só admiro alguém porque a pessoa me admira em retribuição, na realidade eu seria uma pessoa falsa, que estaria usando esse afeto enquanto fosse conveniente... e a vida é curta demais para viver de aparências.

Espero ter contribuído para a discussão.
beijos,
Bia


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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O desejo de viver em outro país: 5 reflexões

O tema do artigo de hoje foi sugerido pela leitora Rogéria, e é algo que observo em muitas pessoas hoje em dia, pacientes, colegas e amigos: o desejo de ir fazer a vida em outro país. Essa vontade de ir embora, se colocada em prática, é uma escolha daquelas que deixam uma bifurcação no nosso caminho, uma espécie de rompimento radical com a vida que a gente levava até então. Por isso, é importante examinar alguns pontos sobre a situação, para que a escolha seja feita e vivida da forma mais harmoniosa possível.


1- Você está fugindo dos seus problemas?
Não é uma regra, mas algumas vezes isso acontece. O desejo sincero não é de ir viver em outro lugar, e sim de deixar os problemas para trás. Sejam dificuldades financeiras, questões familiares, um trabalho pouco estimulante, questões emocionais mais profundas... O problema é que lá no fundo da bagagem, esses problemas todos pegam carona. Independente de onde se planeje viver, é preciso encará-los e lidar com eles. O fato é: ninguém deixa o país de origem porque tudo está bem. O que motiva a mudança precisa estar claro para a pessoa.

2- Existem dificuldades em todos os países...
Todo lugar tem regras e leis que precisam ser seguidas, todo lugar tem chefes e supervisores exigentes e rigorosos, algum colega sem noção ou um vizinho mal humorado, todo lugar tem normas culturais que precisam ser respeitadas e que nem sempre compreendemos bem o porquê... É uma ilusão acreditar que nesses aspectos as coisas serão tão diferentes assim. O cenário é outro, mas a situação em si é exatamente a mesma. Todo país é um lugar fantástico para se viver quando a gente se envolve com a vida.

3- Por quanto tempo essa experiência no exterior duraria?
A ideia é ir fazer um curso fora ou está sendo transferido pela empresa com data para (possivelmente) voltar? Nesses casos, a situação é mais simples, pois já sabemos de antemão que logo voltaremos ao nosso país, é apenas uma experiência diferente por uns tempos. No entanto, se a ideia for, de fato, ficar por lá, é preciso pensar em tudo com mais cuidado. De quanto em quanto tempo voltariam para o país de origem para rever familiares e amigos? A princípio, as pessoas sempre dizem que "em todas as férias!", mas isso não é a realidade... Quanto mais nos envolvemos com a nova vida, mais difícil é retornar à antiga, ao mesmo tempo que, se não nos envolvermos, dificilmente as coisas dariam certo. Meus pais só conseguiram retornar ao país de origem mais de 40 anos depois de saírem de lá. Conheço muitas pessoas que nunca voltaram. E tantos outros passam pela mesma situação. Isso deixa uma lacuna na nossa existência, e muitas vezes é bem difícil lidar com ela.

4- A adaptação no novo país.
Todos os que vão te acompanhar realmente querem ir (marido/esposa, filhos, namorado/a, pais, sogros...)? Ou a ideia é ir sozinho? E se for sozinho, como seria para você não ter ninguém num lugar desconhecido? Onde iriam viver? Já viram trabalho? Se for com as crianças, como seria a adaptação delas numa escola estrangeira, com outra língua, outros costumes, sem os amiguinhos? Todos falam minimamente a língua do novo país? Tudo isso precisa ser muito bem conversado, para que a mudança seja mais tranquila.

5- Preconceito.
É difícil ser estrangeiro. E é difícil ser filho de pais estrangeiros. Às vezes fica aquele sentimento de não ser completamente entendido, apenas "tolerado", aquela sensação chata de não fazer parte do grupo, de nem sempre entender a situação ou sobre o que exatamente as pessoas estão falando, por mais que as duas culturas sejam semelhantes. Preconceito e discriminação, apesar de ser contra as leis da maioria dos países, é algo que infelizmente acontece muito mais do que se pensa e deixa marcas muito ruins na gente. Este é outro ponto a ser considerado, especialmente na questão de como iremos lidar com essas situações e, quem for se mudar com a família, instruir suas crianças sobre atitudes que podem ser tomadas.

Hoje em dia, com a globalização e o avanço tecnológico (especialmente os meios de transporte e de comunicação), parece que as distâncias ficam mais próximas entre povos e culturas. Entretanto é preciso perceber que, apesar de ser possível ir e vir de um continente a outro em menos de um dia (o que antes poderia levar meses) ou mesclar diferentes culturas ao nosso gosto, nem sempre as coisas funcionam desse jeito. Há nem tanto tempo assim atrás, quando um imigrante partia de sua terra natal, o sino da igreja local tocava como se alguém houvesse morrido. Isso é muito forte, é realmente um fim, e isso precisa ser levado em conta antes dessas grandes mudanças. Tentar a vida em outro país é um passo válido e meio que "na moda" hoje em dia, mas precisa ser planejado com cuidado para que essa experiência seja proveitosa.

Quem se interessa pelo tema e quiser ver outro artigo sobre mobilidade, clique aqui e leia Mobilidade: peregrinos, imigrantes, refugiados e vagabundos.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Mythos - Eros: a vida que pulsa em nós

Eros, o desejo erótico, era considerado pelos gregos um dos elementos principais do mundo, um dos criadores da realidade. Numa fase inicial, Eros era filho da Noite e do Érebo (a escuridão mais profunda). Mais tarde, conforme os povos gregos adotaram os deuses do Olimpo, Eros passou a ser associado a Afrodite, deusa do amor, e frequentemente é mostrado como filho dela e de Ares (o deus da guerra e da força física). Ele era representado como uma criança ou um jovem alado, que atirava setas nos corações das pessoas, fazendo com que se apaixonassem.

Imagem: Eros, de Yumedust, DeviantArt.
Em outra ocasião contamos o mito de Eros e Psique, uma linda história de amor e aventura, que você pode conhecer clicando aqui. Hoje, no entanto, vamos manter o foco apenas em Eros e em sua área de atuação, o erotismo. Quando falo em erotismo, percebo que a maioria das pessoas sorri e se limita a pensar em sexualidade. Erotismo é isso, mas não apenas isso, pode ir muito além da esfera sexual, quando a gente pensa num sentido simbólico. É erótico tudo aquilo que faz a pessoa sentir a vida pulsando em si mesmo, seja o que for que ocupe esse lugar para cada um.

Na Grécia, o culto a Eros foi um dos primeiros a se instalar. Como sempre vemos nos mitos gregos, tudo gira entorno do equilíbrio, da "justa medida". Assim, da mesma forma que Eros é fundamental para a vida, quando desordenada a paixão pode trazer grandes problemas a uma pessoa ou mesmo ao grupo social.



Questões para reflexão:

1- Qual o lugar da paixão na sua vida? Que papel ela desempenha? Você se deixa levar pela paixão (no sentido amoroso ou em outro)? Por que?

2- Na psicanálise clássica, Freud associa Eros à pulsão de vida, uma força poderosa que vem da parte mais profunda e escura de nós mesmos (não a toa Eros é filho da Noite e da escuridão/Érebo!) e nos mantém vivos, nos mantém lutando e acreditando, não importa o quanto as coisas estejam difíceis. Você se lembra de ter vivido algum momento em que, no meio de uma grande crise ou dificuldade,  a pulsão de vida (uma força, uma esperança, uma certeza) mudou o rumo da situação? Conte (para si mesmo) essa história. Isso é parte da sua mitologia pessoal.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Ágora - Medo do vestibular

Olá Bia! Vc poderia escrever alguma coisa sobre o medo de fazer vestibulares, provas, concursos e essas coisas? O final do ano está quase chegando e logo vou prestar vestibular, quero entrar em direito. Sou bom aluno, estudo e me dedico bastante, vou bem nos simulados do cursinho, mas na hora da prova eu fico muito nervoso, meu coração acelera, a boca seca e me dá um branco que eu não lembro mais nem onde estou rsrsrs. Como contornar isso? Muito obrigado. beijos
Denis


Bom dia, Denis!

Essa é uma situação muito mais comum do que as pessoas pensam. O nervoso, a ansiedade e o "branco" na hora da prova podem afetar tanto os estudantes no início da vida escolar ou acadêmica, como também o pessoal um pouco mais experiente. A ansiedade excessiva acontece sempre que o nosso tempo interior passa num ritmo muito diferente do tempo da realidade externa. Claro, vestibulares, concursos, provas de admissão e etc. são situações importantes, pois podem mudar a vida da gente. Sendo assim, é normal a pessoa sentir um pouco de ansiedade... Mas não é normal e nem produtivo ficar tão ansioso que acaba não conseguindo fazer a prova de forma satisfatória.

Para começar, vamos colocar os pés no chão e voltar para o presente. Alguns exercícios de respiração podem ajudar, inclusive quando começar a sentir a ansiedade (como logo antes ou mesmo durante a prova). Você pode aprender sobre eles clicando aqui. Outra técnica boa para isso é a meditação. Costumo sugerir sempre aos meus pacientes que tenham o costume de meditar, faz uma grande diferença no humor, no foco e mesmo na saúde. É interessante praticá-la regularmente, mesmo que por poucos minutos. Clique aqui para ver algumas sugestões de meditação bem simples e boas para iniciantes ou pessoas mais experientes. Outros fatores, como alimentar-se regularmente e de forma saudável, beber água em quantidade adequada (1 litro a cada 30 kg de peso corporal), dormir o suficiente, praticar atividade física regularmente e se permitir tempos para relaxar, também são fundamentais e fazem uma grande diferença.

Agora, vamos pensar aqui em alguns dados de realidade. 
- Você estudou todo o conteúdo? Fez seus resumos e anotações? Tirou as dúvidas? Se sim, suas chances de ir bem são altas.
- Você realmente quer fazer este curso? Indo além, você gostaria com sinceridade de fazer uma faculdade agora? Muitas pessoas se sabotam, sem nem perceberem, porque não estão lá por um sonho ou um plano delas mesmas, ainda que tenham competência e capacidade. É algo a se pensar.
- O que exatamente te deixa nervoso? A situação de ser avaliado, a pressão da família e dos amigos, o sentimento de frustração ao ter que tentar outra vez, os gastos que teria com cursinho, material, etc.? Conhecendo qual é o medo, você pode criar estratégias mais eficientes e específicas para lidar com isso.
- Pense em soluções e "planos B" para cada contratempo que você imagina com relação a um fracasso na prova. Isso tende a nos acalmar, pois se tudo vier mal, não estaremos "perdidos" na situação.

Soa como um clichê, mas a vida é mais do que isso. Um fracasso numa prova não determina quem você é e muito menos assinala falta de capacidade. Por fim, Denis, talvez seja interessante procurar um psicólogo para ver essa questão, especialmente se esses sintomas acontecem também em outros momentos da vida.

Boa sorte!
beijos,
Bia


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