terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Boas festas e feliz 2015!

Chegou o final do ano. E como em todo final de ciclo, é hora de fazer um balanço do ano que passou, recordando os momentos mais importantes, honrando as perdas, aprendendo com os erros e sorrindo novamente com cada lembrança alegre. 



É também o momento de agradecer. Agradecer por cada felicidade que tivemos, por cada conquista, por cada aprendizado... Mas, principalmente, é o momento de agradecer por cada pessoa especial que nos acompanhou por esses caminhos, sorrindo e comemorando nos momentos bons, apoiando e confortando nos ruins e ainda nos permitindo participar de suas próprias buscas e caminhadas. Quando dois peregrinos caminham juntos, um elo especial se forma. Nenhum deles sabe exatamente onde vão chegar, nem mesmo quem eles serão ao chegar, mas ainda assim, têm a coragem de caminhar lado a lado, estando lá para o outro.

Sou muito grata a todos os "peregrinos" que caminharam comigo por aqui, leitores e parceiros, que acompanharam o caminho lendo, curtindo, comentando, compartilhando os textos e compartilhando até aquilo que têm de mais precioso: suas próprias histórias de vida. Agradeço pela confiança, pela gentileza e amizade, pela companhia.

Um aviso: o blog estará de férias nessa época de festas. Nos outros anos optei por não interromper as atividades do blog nessa temporada, mas desta vez o final do ciclo pede um momento de pausa e reflexão, para que a gente volte com energia total no novo ano. Retomaremos as atividades do blog dia 13 de janeiro. Na página do Facebook as atividades continuam normalmente.

Boas festas para todos e um 2015 recheado de felicidade! Que o ano novo seja muito mais lindo do que a gente espera! :)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Ágora - saudade de onde nunca estive

O que explica muitas pessoas, inclusive eu, sentirem saudades de lugares que nunca visitaram e situações que nunca vivenciaram?; há até uma canção do Renato Russo que fala à respeito. 
Desde já desejo-lhe felizes Natal e Ano-Novo.
Érico


Boa tarde, Érico!

Na forma como eu entendo, essa "saudade" poderia ser um tipo de déjà vu, expressão francesa que significa "já visto" e que é usada para descrever aquela sensação de que já conhecemos algo ou alguém, de que já estivemos em certo local ou mesmo uma saudade ou nostalgia de algo que nunca se passou.

Nosso cérebro organiza nossas memórias em duas categorias: a imediata, por exemplo de algo que acabou de se passar, do filme que acabamos de ver ou de uma conversa que tivemos há pouco; e a memória de longo prazo, que nos traz lembranças mais antigas, de meses ou mesmo de muitos anos atrás. Para uma lembrança ser armazenada na memória de longo prazo, ela precisa ser significativa para nós e, antes, precisa passar pela memória de curto prazo. Conforme o tempo passa e reforçamos uma lembrança especial, ela se "firma" na nossa memória de longo prazo. Acontece que, vez ou outra, nosso cérebro falha no processo e nossa lembrança vai direto para a memória de longo prazo, deixando essa lacuna, essa sensação estranha...

No caso da sua pergunta, é interessante considerar que aquilo que nunca foi vivido pode ter sido sonhado, visto em filmes e livros, por exemplo e, ao passar diretamente para a memória de longo prazo, criam o sentimento de saudade e mesmo um interesse maior por certos temas. Tenho um amigo fascinado pelo Egito, ele adora filmes, documentários e livros sobre o tema, mas nunca esteve lá. Diz sentir saudade de lá, como se fosse um lugar em que já houvesse morado. Quando conversamos sobre isso, ele diz que desde muito novinho tem esse interesse. Talvez essa falha de memória (que é comum de acontecer e não indica maiores problemas) possa ter acontecido no início de todo esse interesse, fazendo com que a "saudade" aumente mais a cada filme assistido ou livro lido...

Espero ter contribuído para a discussão.
Boas festas para você também!
Bia 


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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

7 Atividades que ajudam no desenvolvimento psicológico das crianças

O artigo de hoje vai ser um pouquinho diferente. Recebi algumas mensagens de leitores perguntando sobre atividades para as crianças nas férias escolares; e como diversas pessoas tinham esse interesse, resolvi escrever um artigo ao invés de responder a essas questões na Ágora. Para entender melhor do que estamos falando, confira as mensagens:

Boa tarde Bia. 
Minha ex esposa tem a guarda dos meus filhos e eles vão passar as férias de janeiro comigo. O que você sugere pra manter a criançada ocupada e feliz? É a primeira vez que fico sozinho com eles por tanto tempo. Obrigado.
Paulo Henrique S.

Bia, chegou aquela época do ano que é o terror das mães, as férias escolares kkkkkkkk..... Como faço para manter meus filhos quietinhos e deixarem eles se divertir? Porque assim nossa família é humilde e não tenho como passear com eles porque trabalho o dia todo.
Juliana G. D.

Bia,
Sou uma avó louca pelos meus netos. Eles vão ficar aqui comigo depois das festas, moro numa chácara no sul de Minas e acho que vai ser mais gostoso para as crianças passarem as férias da escola aqui ao invés de presos no apartamento das minhas filhas em São Paulo. Queria algumas sugestões de atividades para eles brincarem, porque na casa deles só brincam de computador. Mas queria essas brincadeiras que ajudam a desenvolver. Eles são seis crianças entre 5 e 8 anos, todos são muito espertos e até o menorzinho de 5 já sabe ler. Obrigada. um natal abençoado para você e sua família e um feliz 2015.
Maria Lúcia 



Então, pensando na situação do Paulo Henrique, da Juliana e da Maria Lúcia, que é a mesma de tantas outras famílias, separei algumas ideias de atividades simples e econômicas que podem ser feitas nesse período de férias das crianças.

1- desenhar no chão da calçada ou do quintal com giz de lousa. O giz é barato e é encontrado com facilidade em qualquer papelaria. Além disso, é fácil limpar a bagunça depois com um balde d'água - ou podemos apenas deixar a arte da garotada durar! Essa atividade desenvolve a criatividade, a coordenação motora, ajuda a criança a expressar suas emoções através do desenho e ainda traz um sentimento de liberdade quando permite ir além do desenho no papel.

2- Pular amarelinha! Vocês podem riscar a amarelinha no chão com o giz que usaram na atividade 1 ou ainda fazer a amarelinha com fita adesiva no chão, inclusive dentro de casa, como no quarto dos pequenos. Essa atividade ajuda a "gastar energia", trabalha funções nervosas como o equilíbrio, o planejamento da ação, atenção e concentração, além de ensinar valores como a persistência e a competitividade "boa", aquele movimento de tentar se superar.

3- Organizar um piquenique. Vocês podem ir ao parque da cidade, a uma pracinha ou mesmo aproveitar uma sombrinha gostosa do quintal de casa. Deixem as crianças se envolverem e participarem bastante, tanto no preparo dos lanches quanto na arrumação do lugar (antes e depois da brincadeira!). Evitem alimentos prontos, façam vocês mesmos os sanduíches, o suco, preparem algumas frutas ou o que a imaginação e o apetite sugerirem. Essa atividade ajuda a desenvolver a cooperação e o trabalho em equipe, ensina a trabalhar com organização para alcançar uma meta (no caso, ter um momento gostoso é a meta). ATENÇÃO ADULTOS: não estamos recebendo nenhuma personalidade ou autoridade oficial para o evento. Não é a festa de coroação de um rei, é um piquenique de férias organizado por crianças... a ideia é se divertir, e não fazer tudo perfeitinho!

4- Vamos juntar sucata: caixinhas, garrafas, latas, tampinhas, papel, papelão... Agora vamos soltar a imaginação e construir brinquedos de sucata! Podem fazer pés de lata, casinhas com caixas de papelão, uma cidade em miniatura para brincar com carrinhos e bonecos, criar fantasias e montar um teatrinho... A imaginação é o limite! Quando a brincadeira terminar, todo o material usado pode ser levado para a reciclagem, ensinando às crianças a importância de cuidar da natureza. Isso contribui para a atenção e coordenação motora, ajuda a desenvolver a criatividade, trabalha o planejamento e ainda dá para a criança a noção de pensamento além de si mesma, de responsabilidade por algo maior, quando trabalhamos a questão da reciclagem. Este tipo de atividade é aquele tipo de brincadeira sem competitividade, em que, como disse certa vez um dos meus pequenos, "ninguém ganha nem perde, a gente só se diverte e faz amigos".

5- Fazer bolinhas de sabão. Vocês podem diluir um pouco de detergente de cozinha na água, molhar um canudinho na mistura e soprar de leve. Em geral as crianças gostam muito desta atividade e ela é ótima para ser feita depois de um momento mais agitado. Por trabalhar a respiração lenta e rítmica, ajuda a criança a se acalmar e a se concentrar, pode inclusive ser feita como forma de meditação - o que estamos soprando dentro da bolha? O que estamos tirando de dentro de nós? O que estamos dividindo com o mundo? Para onde essa bolinha vai?

6- vamos convidar alguns amigos e fazer uma noite do pijama! Com direito a desfile de pijamas, histórias e lendas que a criançada adora escutar (famílias, vocês encontram muitas na internet, inclusive aqui no blog temos várias histórias que as crianças podem gostar na coluna Mythos) e algumas guloseimas. Isso desenvolve a socialização e incentiva valores como amizade e companheirismo. Além disso, como no piquenique, ajudar a organizar a brincadeira contribui bastante para o desenvolvimento do planejamento, trabalho em equipe, ajuda a criança a aprender a expor suas ideias e ouvir as sugestões dos outros.

7- estamos entrando no verão, o que significa que as noites são mais quentes que no resto do ano. É uma época muito boa para ir lá para fora e olhar as estrelas. Aprendam algumas constelações simples e fáceis de localizar, como o Cruzeiro do Sul ou as Três Marias e ensinem aos pequenos. Além de se sentirem espertos, esse tipo de atividade relaxa a criança, cria um momento harmonioso de convivência entre a família e trabalha aspectos como a concentração e a atenção.

Lembrem-se que o importante não é o brinquedo, mas o como se brinca. A participação dos adultos precisa se dar como participante mesmo, e não como diretores. A ideia é que os pequenos brinquem e os adultos façam o papel complementar, para terem um tempo gostoso juntos e ajudar no desenvolvimento das crianças, e não que os adultos brinquem e as crianças assistam. Ah, e criem também as suas atividades, adaptem, permitam-se!
Ótimas férias para todos e divirtam-se! :)

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Mythos - Oxossi: aceitando a fartura

Hoje temos um mito de origem africana. Oxossi não é humano e nem um deus, ele é um orixá, uma entidade que, na cosmovisão africana, rege os diversos aspectos da natureza, do mundo criado por um ser maior. Até hoje ele é cultuado no Brasil e na América Latina, nas religiões de origem ou com influência africana. Na África, Oxossi é pouco cultuado hoje em dia, pois muitos de seus sacerdotes e devotos foram escravizados ou mortos séculos atrás.


Oxossi é o orixá que rege as matas e florestas, assim como a caça e os animais. Seu símbolo é o arco e flecha que usa na caça. Também é ligado às diversas manifestações artísticas, do canto dos pássaros às artes produzidas pelo ser humano. Portanto, é um orixá ligado ao sustento, mas também à fartura, a uma vida próspera e com a sua harmonia.


Questões para reflexão:

1- Vamos começar pensando sobre a figura de Oxossi, um caçador. O caçador é aquele que se permite ir além do conhecido, além do óbvio. Ele mira seu alvo, dispara uma flecha certeira e conquista sua meta. A fartura está muito relacionada a conquistar aquilo de que precisamos para uma vida com qualidade. Como você conquista suas metas? Como é, no seu dia a dia, esse processo de mirar o alvo e alcançar (difícil, tranquilo, sofrido, cheio de ânimo ou de preocupações...)?

2- Sobre a fartura, faça uma festa de toda a fartura que existe em sua vida. Lembrando que fartura não é apenas dinheiro ou ter comida na mesa. Ter boa saúde, trabalho, bons amigos, amor, uma família que nos apoia emocionalmente também são sinais de grande fartura. Deixe a sua lista em algum lugar que veja sempre (e leia com frequência a sua lista!), como na sua agenda, num mural ou mesmo na porta do armário ou da geladeira. A gratidão só vem quando sabemos reconhecer e aceitar a fartura que existe na nossa vida.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Mythos - Sheela Na Gig: nascimento, morte e envelhecimento

Sheela Na Gig é uma figura da mitologia celta. Não é exatamente uma deusa ou uma personagem, e sim uma representação do feminino sábio e criador. Ou pelo menos, não são conhecidos mitos em que Sheela Na Gig se destaca e interage com deuses, mortais ou outras criaturas.

Sheela Na Gig. Imagem de Hrana Janto.
Ela é representada como uma figura feminina, abaixada com as pernas abertas, abrindo e mostrando os próprios genitais com as duas mãos. Esse símbolo era encontrado nas entradas de templos (e mais tarde, de igrejas cristãs na região da Irlanda e Grã Bretanha, até serem destruídos por religiosos que consideraram a imagem ofensiva). Um ponto bem curioso é que algumas vezes, Sheela Na Gig não é uma mulher jovem ou madura, que compreenderíamos como uma mãe, uma mulher fértil. Ela é mostrada como uma avó bem idosa, com os seios murchos, os cabelos ralos, alguns dentes faltando e o corpo bem magro. Por isso, ela representa, ao mesmo tempo, nascimento e morte, e todo tipo de transição ou grande mudança que possa existir entre esses dois extremos. Além disso, traz à tona o poder da mulher idosa/sábia, que já não gera filhos, mas é capaz de gerar e sustentar toda uma realidade com sua experiência, sabedoria e intuição. 


Questões para reflexão:

1- Nos dias de hoje, a imagem da pessoa bem idosa gera reações de medo, de pena e até de nojo. A expectativa de vida é a mais alta da história, no entanto, não tempos o respeito pelo idoso, essa faixa etária não tem a visibilidade que merece. Vivem muito, mas esperam parar de envelhecer por volta dos 20 ou 30 e poucos anos e viver o resto da vida assim. E isso não é apenas algo estético ou um ideal de beleza, pois junto com aquilo que se deseja aparentar, vem um jeito de agir, pensar e sentir. Ou seja, é uma grande perda de tempo passar uma vida muito longa como se sempre fosse jovem. A ideia pode até parecer atraente no início, mas é uma perda de tempo (com o perdão do trocadilho) gastar tantas décadas na casa dos 20 anos quando existem novos desafios, novas descobertas e novos insights nas fases que seguem. Como você lida com o seu envelhecimento (ou com a possibilidade de "ficar velho")?

2- Sheela Na Gig nos apresenta uma visão da morte bem diferente da que se tem hoje em dia. Entre alguns povos da antiguidade (celtas, gregos, romanos, entre outros), a morte e a fertilidade estavam intimamente relacionadas. Entre gregos, por exemplo, os rituais fúnebres eram bem parecidos com os rituais de casamento e, em alguns casos, envolviam mesmo a prática sexual. A ideia dos funerais era promover a fertilidade, ajudando o morto a renascer (neste ou em outro mundo, conforme as crenças de cada povo). Trazendo isso para o nosso dia a dia, como você vê os momentos de transição? É frequente que a mudança seja experimentada como uma morte, pois envolve perdas. Mas, passado o turbilhão da perda, algo novo surge, uma nova fase, novos relacionamentos, um novo trabalho talvez... Algo renovado e fresco nasce da velha Sheela Na Gig. Como se a vida brotasse da morte. Quais foram as maiores mudanças que você já enfrentou na vida? Como se sentia no começo da mudança e mais tarde, quando as coisas começavam a se estruturar novamente?


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Ágora - Não entrei na faculdade mais uma vez


Oi Bia. Eu to vivendo uma situação deprimente. Não consigo entrar na faculdade e este já foi meu terceiro ano fazendo vestibular. Tenho 20 anos e ainda não entrei quando tenho amigos da mesma idade que já estão quase terminando. Estudei num dos melhores colégios de São Paulo e meus pais tem uma condição social muito boa então eu sou muito cobrado por isso e me sinto péssimo por nunca conseguir mesmo tentando cursos mais fáceis de passar eu sempre acabo desapontando eles e fico me sentindo péssimo com isso. Até meu irmão mais novo que tem só 17 anos entrou direto numa ótima universidade e vai fazer engenharia aí eu acabo sendo ainda mais pressionado por isso, mas o L. (irmão) sempre teve mais cabeça pros estudos do que eu, ele é o mais inteligente e capaz da minha família toda. Mas me sinto péssimo Bia, sinto que sou uma vergonha pros meus pais. Me sinto uma pessoa fracassada e sem valor. 
D.


Olá, D.

Em primeiro lugar, o valor de uma pessoa não se mede em termos de sucesso ou fracasso. Ninguém perde seu valor por passar ou não numa prova. Por isso, D., por mais desagradável que seja não ter conseguido, isso não é motivo para se sentir menos do que outras pessoas.

Sobre a questão em si, a primeira coisa que pensei quando li sua mensagem foi: será que ele quer fazer faculdade ou só tem medo de desapontar a família? Profissão é coisa séria. Passamos a maior parte do tempo no nosso trabalho e mesmo nos outros momentos, nosso estilo de vida continua sendo marcado consideravelmente pela nossa profissão. E mesmo pensando mais a curto prazo, é bom lembrar que um curso universitário não é algo simples, exige gastos, tempo de dedicação, estudos e certos sacrifícios. Por isso, pense muito bem e não faça nada apenas para corresponder à expectativa da sua família. Se quiser fazer, faça por si mesmo. Existem outras opções para ter uma formação que você pode considerar, como cursos de curta duração ou mesmo uma formação técnica, mais voltada para a prática do que para o mundo acadêmico. Avalie as opções e escolha por si.

Caso opte por fazer a faculdade, vale a pena rever seus passos para descobrir onde está errando. Quais matérias e conteúdos tem mais dificuldade? Estudar em grupo é algo que ajuda ou que te distrai? Como se sai nos simulados? Ou os conteúdos estão claros, mas na hora da prova a pressão e a ansiedade atrapalham? Costuma deixar tudo para a última hora? Organizou um roteiro eficaz para os estudos renderem melhor? Também é preciso dar atenção ao lado emocional, cuidando dessa ansiedade que vem de toda a pressão que você recebe, D. É preciso esforço, mas é preciso também ter tempo de relaxar, dormir o suficiente, ter atividades divertidas com amigos e pessoas queridas, enfim, deixar esse "nervoso" ir embora.

Independente do que você decidir e de como a vida se desenrolar, saiba que não é isso o que determina o sucesso, o valor e muito menos a felicidade de alguém. A pressão se desfaz e a vida se torna mais leve quando as nossas escolhas são de fato nossas, quando os passos que damos são resultado da nossa vontade e necessidade, e não de expectativas que outras pessoas (por mais queridas que sejam) criaram sobre nós. Só podemos viver os nossos próprios sonhos, nunca o de outras pessoas.

Beijos,
Bia 


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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Mythos - Maya: olhar além das ilusões

Maya é a deusa indiana associada ao universo material, conhecida como "tecelã da teia da vida" e "mãe da criação". Na visão hinduísta, o mundo material é apenas uma ilusão que nos impede de ver um mundo além deste, mais legítimo e sem as enganações da matéria.

Além de ser ligada à criação, Maya é associada à inteligência, à magia e à água. É Maya quem ergue os véus do mundo, os véus da ilusão. E ao fazer isso, ela nos dá acesso a  um conhecimento precioso, pois nos permite olhar além das ilusões e perceber a realidade por trás do mundo e das situações. Ela tem o poder tanto de cegar com ilusões como de nos livrar dela.


Questões para reflexão:

1- O que você entende por "ilusão"? Já viveu situações em que, mais tarde, percebeu que estava iludido? Costumamos dizer que alguém está iludido quando a pessoa não vê a realidade da forma como realmente é, cai em auto enganos e acaba tomando atitudes das quais irá se arrepender quando conseguir ver além da ilusão.

2- Maya não é apenas a que ilude, mas também a que ergue os véus e nos permite ver por trás deles. Existem situações na sua vida em que você resiste a ver por trás do véu? Se sim, quais? Despertar de uma ilusão nem sempre é fácil. Algumas vezes é dolorido, pois destrói sonhos e esperanças. No entanto, é fundamental perceber que, enquanto estivermos cegos pelos véus de Maya, nada realmente se desenvolve na nossa vida. É como se a gente estivesse preso num cenário em que não há liberdade de agir. Só há realidade quando há escolhas verdadeiras. E nunca escolhemos de verdade mergulhados em ilusões.